A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 12/07/2020

“O homem é o lobo do próprio homem”, frase dita por Thomas Hobbes ao explicar o homem em seu estado de natureza na teoria contratualista. Apesar de já ter passado para a fase em que o Estado existe, o ser humano ainda utiliza de meios para destruir e vencer ao outro a qualquer custo. No Brasil, esses métodos são conhecidos como o “jeitinho brasileiro”, que na verdade é um eufemismo para a verdadeira situação: corrupção.

Em um primeiro momento, é importante destacar que a corrupção está presente em diversas situações do dia a dia brasileiro; desde a escola, quando os alunos furam a fila da merenda, ao político que compra votos e rouba o povo. Isso acontece porque há uma relativização das pequenas infrações, como se as mesmas não fossem tão graves assim. Quando crianças vêem seus pais estacionando o carro em vaga de cadeirante, por exemplo, afirmando que “é por pouco tempo”, “são só alguns minutos”, elas crescem encarando isso com normalidade. Posteriormente, então, as crianças se tonam os novos pais, com os mesmo hábitos corruptos e também reproduzem aos seus filhos, em um círculo vicioso.

Em um segundo momento, deve ter claro que esses atos quando naturalizados, vão se tornando cada vez mais ilegal. Temos como um grande exemplo a operação lava jato que teve início no Brasil em 2009, e trouxe a público diversos casos de fraude pública, lavagem de dinheiro e diversos esquemas envolvendo empresas fantasmas. Crimes como esses, não começam da noite para o dia, isso foi sendo relativizado dentro  do ambiente em que esses criminosos trabalhavam e foi se tornando cada vez mais grave.

Portanto, medidas são necessárias para resolver este impasse, com base na frase de Nelson Mandela “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”, vê-se a necessidade de o Ministério de Educação e Cultura incluir em todos os municípios a abordagem em sala de aula sobre os atos que constituem o “jeitinho brasileiro” e o quanto o mesmo influencia os atos corruptos mais graves. Isso pode ser feito através de palestras que incluam os pais, para que possa haver uma parceria e assim haverá uma interrupção nesse círculo, e as novas crianças crescerão mais conscientes e finalmente o brasileiro estará livre desse “jeitinho” que acompanha a sociedade há tanto tempo.