A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 06/06/2020
No livro “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda, é descrito o homem cordial, o qual seria a definição do chamado “jeitinho brasileiro”, um sujeito malandro, que sempre se safa das situações e pratica atos de corrupção. Consequentemente, esse pensamento foi amplamente difundido na sociedade brasileira, sendo às vezes, um adjetivo do qual a coletividade utiliza com orgulho. Sendo assim, a persistência dessa ideologia se deve principalmente, a perpetuação dessa filosofia na cultura e da normalização de pequenas atitudes corruptas. Portanto, faz-se necessário que medidas sejam tomadas para a reversão dessas crenças limitantes, para o avanço da população.
Dessarte, o homem cordial foi tão disseminado no Brasil, que veio a se tornar cultura. Uma vez que, em “A Grande Família”, uma das mais conhecidas séries da televisão brasileira, é apresentado o personagem Agostinho Carrara, homem o qual quando tem dinheiro, faz de tudo para levar vantagem, mesmo que para isso seja necessário colocar a si, e a sua família, em grandes confusões, descrevendo a compostura da definição criada por Sérgio Buarque. Dessa forma, observa-se a padronização que se foi implementada, e para a normalização desse revés, cabe aos próprios brasileiros se conscientizarem dos atos antiéticos que tomam, e pararem de mascará-los pelo atributo de jeitinho brasileiro.
Ademais, um fator fomentador dessa problemática é a normalização de pequenas atitudes corruptas, pois essas se estendem durante a vida do indivíduo fazendo com que, mais tarde, ele possa vir à cometer maiores atos de deturpação, por ter esse princípio consolidado. Verifica-se que, essas atitudes estão presentes na nação desde casos de estudantes que furtam materiais escolares de colegas, até em grandes desvios de dinheiro por políticos, ambos são casos de corrupção, ou seja, são igualmente inaceitáveis. Dessa forma, necessita-se de uma conscientização que faça com que o cidadão que estaciona em vagas de deficientes ou idosos de forma irregular e, ao mesmo tempo, critica a corrupção do governo, perceba a sua hipocrisia.
Assim sendo, faz-se mister que o Tribunal de Contas da União forneça capital que, por intermédio do Ministério da Educação e Cultura (MEC), seja revertido em palestras conscientizadoras nas escolas, às quais desconstruam crenças dos jovens, abordando o assunto honestidade e expondo diversas atitudes corruptas normalizadas à não serem seguidas, com o intuito de inserir nessas crianças uma base moral mais trabalhada e longe do preceito do homem cordial. Dessa forma, por meio da educação atingiria-se uma sociedade mais integrada e que poderia ser definida como cordial pelo verdadeiro significado da palavra, o de um cidadão sincero, verdadeiro, e honesto.