A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 15/07/2020
No livro “Raízes do Brasil”, o historiador Sérgio Buarque de Holanda conceitua o brasileiro como “Homem Cordial”, ou seja, aquele que prioriza a emoção frente à razão. Nesse sentido, constata-se a persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira, em virtude do costume enraizado de agir ilicitamente para benefício próprio. Visto que a indistinção entre público e privado e o desprezo à justiça colaboram com esse cenário, medidas fazem-se necessárias.
Em primeira análise, nota-se que a indiferença entre privado e público é prejudicial às instituições sociais. Nessa perspectiva, de acordo com o jornal El País, cerca de 82 milhões de reais são roubados diariamente por pequenos atos corruptos. Sob essa ótica, uma vez que esses desvios éticos são aceitos e relevados judicialmente, novos casos de corrupção surgem nas esferas públicas, o que contribui com a utilização do dinheiro coletivo em prol de si mesmo. Dessa maneira, com o desfalque monetário nos cofres públicos, ações essenciais à sociedade, como melhorias na educação e na saúde, são afetadas.
Além disso, a prática do “homem cordial” comportar-se com intimidade perante qualquer situação é desfavorável à justiça. Nesse sentido, segundo pesquisa divulgada pelo jornal “O Tempo”, quase 80% dos entrevistados preferem usar algum “jeitinho” para burlar as leis a obedecê-las. Por conseguinte, dado que agir ilicitamente é encarada como parte do cotidiano de muito indivíduos, atitudes como falsificar documentos e assinaturas e sonegar impostos dificultam a ação da justiça em combater atos corruptos. Desse modo, com o descumprimento de leis e regras, o “jeitinho” torna-se uma identidade nacional negativa.
Portanto, diante dos fatos supracitados, cabe ao Ministério da Justiça e da Segurança Pública, juntamente ao Ministério da Cidadania, promover o combate a cultura de beneficiação própria pela corrupção, por meio de fiscalizações rigorosas no destino do dinheiro público e nas esferas propensas a sofrerem atos ilícitos, como o não recebimento dos impostos, em que ações suspeitas de corrupção sejam averiguadas e integralmente julgadas na justiça, com o intuito de valorizar a justiça e priorizar as atitudes éticas. Dessa forma, a persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira será diminuída.