A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios
Enviada em 14/10/2022
Em 2006, a cineasta Sofia Coppola dirigiu “Maria Antonieta”, uma releitura sobre a vida da absolutista, historicamente conhecida como fútil e egoísta. Contudo, a obra evidencia um fato crucial e implícito na sua trajetória: Maria Antonieta era jovem demais para governar. Nessa perspectiva, o longa-metragem enfatiza os malefícios do amadurecimento precoce, problema ainda recorrente na atualidade, reforçados pela negligência familiar e manifestados na maioridade.
A princípio, cabe abordar que tais prejuízos podem ser observados ainda na infância. O fime “Grande Menina, Pequena Mulher” acompanha Ray, uma menina de oito anos que, em virtude da ausência maternal, torna-se independente e madura. Paralelamente, a garota desenvove ansiedade e fragiliza seu sistema imunitário. Em tese, expor crianças, em desamparo parental, à circunstâncias inadequadas a sua idade provoca danos à saúde física e psicológica.
Ademais, o comprometimento do amadurecimento integral reflete na construção de habilidades sociais. De acordo com a Teoria do Conhecimento, do psicólogo Jean Piaget, o desenvolvimento cognitivo infantil passa por quatro estágios, até manifestar o raciocínio moral, durante a adolescência. Com efeito, a inconsistência numa das etapas limita a formação da consciência completa do indivíduo. Sob essa óptica, foi pertinente que Coppola tenha relacionado o fracasso do reinado da austríaca a sua pouca idade, visto que ela tinha quatorze anos quando foi obrigada a se casar e assumir a corte francesa, e assim, foi incapaz intelectualmente de exercer tal cargo.
Portanto, é fundamental que a sociedade reflita sobre a importância de uma criação bem estruturada, baseada no respeito a cada fase da infância e do crescimento natural. Para isso, órgãos sanitários, como a Organização Mundial da Saúde, devem promover campanhas de conscientização sobre a problemática, através dos meios de comunicação, como rede sociais e jornais, a fim de informar os pais sobre as consequências no desequilíbrio do bem-estar físico, emocional e social. Desse modo, narrativas como a de Maria Antonietta permanecerão apenas na História, e não na contemporaneidade.