A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios

Enviada em 05/10/2022

A Constituição federal de 1988, por meio do Artigo 6°, visa garantir uma boa qualidade de vida para todos os cidadãos em território nacional. Todavia, não é isso o que ocorre, uma vez que a valorização do trabalho precoce e o acesso cada vez mais comum a dispositivos digitais promovem o rápido amadurecimento de muitos jovens. Desse modo, cabe debater como essa prática compromete a saúde desses indivíduos e prejudica o processo de socialização em idades avançadas.

De início, deve-se destacar que um dos principais problemas de quem é forçado a amadurecer precocemente são as sequelas emocionais que os acompanham durante toda sua vida. Em consonância com o que foi dito, uma pesquisa feita pelo portal G1, mostra que 40% das pessoas que não tiveram uma infância e adolescência saudáveis tendem a apresentar transtornos de ansiedade ou complexos ligados à autoestima. Ademais, isso mostra como acelerar o processo de desenvolvimento cognitivo de um indivíduo pode comprometer suas competênciais sociais e profissionais como um todo. Dessarte, tal ato não traz qualquer benefício a longo prazo e ainda pode gerar sofrimento nos envolvidos.

Em segundo lugar, vale ressaltar que um dos componentes fundamentais da vida em sociedade é a capacidade de ouvir e ser ouvido. Todavia, o filósofo Aristótelas, desde a idade antiga, já alertava que o processo de socialização se inícia na juventude e no lazer, sendo estes fundamentais para sua concretização. Outrossim, induzir as crianças e adolescentes à não passarem por esse período de exploração e autoconhecimento fará com que elas tenham sua capacidade de comunicação comprometida de forma irreversível.

Portanto, para que essa problemática seja superada, medidas precisam ser tomadas. Para tanto, o Ministério da Família, em parceria com a mídia, deve investir em propagandas que visem assegurar o amadurecimento saudável dos jovens. Isso pode ser feito por meio da destinação de verba pública para a realização de campanhas que informem os famíliares e toda sociedade sobre os malefícios que o amadurecimento precoce tem para os cidadãos e as pessoas que convivem com eles. Somente assim, a Constituição Cidadã será respeitada e mais jovens poderão usufruir de uma melhor qualidade de vida.