A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios

Enviada em 05/10/2022

O Estatuto da Criança e do Adolescente apresenta em suas pautas direitos e deveres da população mais nova e assegura dignidade e qualidade de vida, de modo a ser vivida cada fase em seu respectivo tempo. Entretanto, devido ao rápido avanço tecnológico vivenciado hoje, há demasiada exposição de menores a conteúdos que não correspondem às idades. Além do mais, é notório que alguns responsáveis pelas crianças não controlam exposição à internet e ainda, usam-nas para gerar capital, o que resulta em um amadurecimento precoce das mesmas.

Por um lado, o brasileiro precisa cumprir 40h de serviços semanais, para ganhar um salário mínimo no fim do mês, como previsto nas leis trabalhistas. Como consequência, trabalhadores que têm filhos pequenos, devido a falta de tempo, os deixam sob tutela de alguém confiável. Logo, para distraí-los, é confiado a eles um aparelho eletrônico com acesso à internet. Apesar da Política de Privacidade para menores oferecida pelas plataformas, muitos não a conhecem, portanto, não a utilizam. Como resultado, as crianças navegam livremente pela internet, podendo ter acesso a conteúdos pornográficos, violentos e mais uma série de inadequados.

Por outro lado, há pais ou tutores que utilizam crianças em plataformas como You Tube e Instagram para gerar renda extra. Estas que precisam dedicar sua vida a gerar entretenimento, correm o risco de não viver boa parte de sua infância. Além do mais, crianças acompanham crianças que produzem conteúdo adulto. Este impasse instiga o amadurecimento tanto de quem trabalha de um lado da tela, quanto de quem assiste, do outro. O grande problema é que em ambos os lados, os constituíntes são crianças e em ambos os casos, os culpados são os adultos.

Com o intuito de assegurar o direito de brincar, estudar e se desenvolver de modo a viver a infância como consta no Estatuto da Criança e do Adolescente, o Conselho Tutelar pode usar a mídia, já que é muito utilizada pelas próprias crianças, para fazer campanhas contra o trabalho infantil mesmo que seja pela internet. Além do mais, a aprovação de leis que punam responsáveis por as submeterem a isso, também é necessária e, é imprescindível ação por parte do STF para que possa ser realizada. Quando se trata de crianças, a situação não pode ser ignorada, pois elas são o futuro deste país.