A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios

Enviada em 07/10/2022

Ao observar a Constituição Federal de 1988, nota-se como a garantia de um desenvolvimento ideal e a construção de uma sociedade justa são cruciais para o alcance de uma república ideal. No entanto, a presença da normalização no amadurecimento precoce e seus malefícios dificultam a validação dos princípios constitucionais, dado que o fato é visto como um assunto frequente e banal. Nessa ótica, é pertinente ressaltar as mudanças vindas com a modernidade como fonte do problema - visto que promove transtornos psicológicos no desenvolvimento infantil.

Nesse sentindo, é válido reconhecer como a modernidade prejudica a mitigação do obstáculo, dado que as crianças de hoje são expostas precocemente a conteúdos impróprios para sua faixa etária. Sob esse prisma, a antropóloga Ruth Beneditc afirma que a cultura é a lente pela qual a sociedade enxerga, isto é, o ambiente expõe valores adquiridos no convívio social. Partindo desse pressuposto, inserido em um meio que, banaliza a problemática, e permite sua continuidade, o cidadão tende a padronizar esse cenário como um fator normal - de modo a potencializar uma apatia social e, lamentavelmente, a persistência do problema.

Por conseguinte, infere-se que o descuido com o desenvolvimento infantil instalou-se na coletividade ao passo que o corpo social não vê com sobriedade os transtornos psicológicos causados por um amadurecimento forçado, como, ansiedade e estresse. Nesse viés, segundo a literatura barrosiana, conforme a “teologia do traste”, é crucial que o indivíduo valorize as questões ignoradas pela comunidade, a fim de obter uma mudança na esfera social. Entretanto, o cidadão, frente ao dilema não dá a devida relevância, ignorando o assunto e corroborando com a “teologia” de Manoel de Barros.

Portanto, é necessário atenuar o quadro vigente. Para tanto, o Estado - responsável pela harmonia social - deve implementar campanhas de alerta para a população. Essa medida será cumprida e efetivada por meio da grande mídia, com a finalidade de orientar os pais para que filtrem os conteúdos que seus filhos são expostos. Dessa forma sua infância será preservada e essa questão não será mais uma realidade nacional.