A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios
Enviada em 07/10/2022
Carlos Drummond de Andrade, renomado poeta brasileiro, em seu poema “No meio do caminho”, retrata, de modo figurado, os empecilhos que o ser humano enfrenta ao longo de sua vida. De maneira análoga à obra de Drummond, entende-se a normalização do amadurecimento precoce da juventude como um obstáculo a ser superado, posto que promove, em muitos casos, malefícios na vida infantíl. Desse modo, cabe a analisar como o ambiente e a família perpetuam o problema.
Sob essa perspectiva, é mister discutir o papel do meio no desenvolvimento prematuro juvenil. De acordo com PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), em 2019, o Brasil ocupava a sétima posição na lista dos países mais desiguais do globo. Dessa forma, infere-se que diversas famílias que vivem em situação de carência busquem alternativas para escapar da fome e do fatídico desamparo social. Com isso, diversos jovens, infelizmente, abandonam os estudos, abdicam da infância e dos sonhos para ingressarem no mercado de trabalho informal, de modo a garantir - ao menos - o básico para a sobrevivência do sangue.
De modo complementar, a normalização do amadurecimento precoce de crianças encontra no seio familiar uma faceta preocupante. Sob essa ótica, em 2020 a internet conheceu Carlos Pilotto, um menino de apenas 13 anos que viralizou na rede após dar discursos sobre a política e, se auto-denominando conservador, o garoto se tornou motivo de piada entre os outros. Todavia, sua aparição na internet levantou o questionamento acerca do amadurecimento precoce e, principalmente, da omissão familiar no que tange a liberdade excessiva que o garoto recebia, pois, diversos temas tocados pelo menino são de grande sensibilidade midiática e constantemente recebia diversas mensagens de ódio.
Portanto, urge que o Governo Federal, como órgão mediador das mazelas, intensifique programas de amparo social, por meio do incentivo financeiro maior aos projetos, como, por exemplo, o “Auxílio Brasil”. Além disso, cabe as famílias, como responsáveis legais pelos menores, tornarem uma postura mais ativa nesse combate, com o gerenciamento não só da vida digital, como da social, de modo a assegurar o desenvolvimento saudável infanto-juvenil. Para que, com as “pedras” removidas do caminho, a juventude desfrute e amadureça no tempo adequado.