A normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios
Enviada em 08/10/2022
A obra “Utopia”, do escritor Thomas More, retrata a história de uma sociedade perfeita, a qual é livre de problems. A realidade brasileira, todavia, destoa-se do enredo supracitado, uma vez que a normalização do amadurecimento precoce e seus malefícios ainda é um desafio a ser superado. Nesse sentido, a formação fa-miliar e a influência midiática configuram-se como as principais causas desse ce-nário preocupante.
Diante dessa perspectiva, convém ressaltar a negligência parental presente na questão. Segundo o sociólogo Durkheim, a família é a primeira instituição respon-sável pela edificação das pessoas. Observa-se, entretanto, que muitas famílias ne-gligenciam o seu papel, pois incentivam comportamentos que impulsionam o amadurecimento precoce, como o excesso de atividades que exigem grandes res-ponsabilidades das crianças no cotidiano. Essa conjuntura pode afetar gravemen-te o crescimento dos infantes, já que diminui o tempo destinado ao lazer, aspecto importante nesse peíodo da vida.
Além disso, a influência midiática é outra causa do problema. Nesse contexto, o pensador Pierre Bordieu defende que as instituições criadas com o objetivo de promover a democracia não devem ser usadas como mecanismo de opressão. Percebe-se, no entanto, que os meios de comunicação, em vez de propagar o de-senvolvimento saudável dos indivíduos, contribuem fortemente para a normaliza-ção do amadurecimento precoce, ao retratar, por exemplo, o consumo de álcool e de outras drogas por jovens em diversos filmes. Isso gera, principalmente nos adolescentes, uma pressão para adotar as mesmas condutas das personagens, o que traz consequências pscicológicas, como o surgimento de dificuldades na es-cola e de ansiedade.
Faz-se necessário, portanto, que as escolas - reponsáveis pela formação socio-educacional dos indivíduos - realizem debates e palestras acerca da temática do amadurecimento precoce, a fim de conscientizar os familiares dos alunos a res-peito desse assunto e alertá-los sobre os impactos dos meios de comunicação no comportamento dos jovens. Tal ação deve ser realizada por meio da atuação de professores e de psicólogos especialistas no tema.