A negligência em relação à saúde masculina no Brasil
Enviada em 13/10/2024
Desde cedo, meninos são ensinados que demonstrar vulnerabilidade é um sinal de fraqueza, homens tendem a reprimir seus problemas com dizeres como “isso não é nada” ou “isso é coisa de mulher, vira homem”. Esse estigma social contribui para que homens evitem buscar ajuda, tanto física quanto psicológica, levando ao aumento de casos de doenças como o câncer de próstata e depressão, doenças que possuem tratamentos estigmatizados e evitados pelos homens. Esse problema de escala global é ignorado pelo Estado, que se recusa a tomar providências a respeito.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, homens brasileiros vivem, em média, 7 anos a menos que as mulheres, entre as causas de mortes prematuras, muitas estão ligadas à negligência à saúde. Grande parte dessas mortes ocorrem devido ao tratamento tardio de doenças graves, e quando há procura por tratamento, geralmente se dá devido à influência de mulheres e filhos. Segundo um levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo, mais da metade desses pacientes adiaram a ida ao médico e já chegaram com doenças em estágio avançado.
“Os homens não pedem direções porque isso os faz parecer mais fracos.” explica o psiquiatra Dean F. MacKinnon. Fatores associados à não procura de ajuda incluem a relutância em revelar sintomas relacionados ao humor e crença na autossuficiência. É de senso comum que homens também possuem depressão, porém, muitas vezes seus sentimentos são minimizados tanto socialmente quanto pelo Estado, que não oferece apoio e o incentivo necessário para a busca de ajuda.
Logo, se mostram necessárias ações para o incentivo do tratamento masculino através de campanhas de apoio e acolhimento, financiadas pelo Ministério da Saúde e da Educação, além do investimento na educação, com o intuito de informar e alertar os riscos da displicência em relação a saúde. Somente assim teremos menos tabús e desinformação e mais cuidado a respeito da saúde masculina.