A negligência em relação à saúde masculina no Brasil
Enviada em 31/05/2024
Na série “Sex Education”, da Netflix, o autor retrata o cotidiano de um jovem com ideais machistas e preconceituosos. Na trama, o personagem enfrenta uma severa dificuldade ao tratar suas fragilidades masculinas, que vão de sentimentos às questões de saúde, como, por exemplo, sua disfunção erétil, além de outros problemas hormonais, resultados de um terrível preconceito socioestrutural de décadas vinculada a imagem forte, masculina e machista do homem.
Fora da ficção, é comum se deparar com situações similares, pois, atualmente, um dos principais problemas do homem moderno é admitir suas fragilidades e praticar o autocuidado. A sociedade, ao longo dos anos, criou uma imagem forte e inabalável do ser masculino, o qual, por medo da repressão, assimila o autocuidado à um ato de fraqueza, ou até mesmo frescura, e tentam ao máximo apartar este ato do seu cotidiano.
Ademais, este tangenciamento do autocuidado, também, está vinculado a visão ancestral de que o homem é o responsável por zelar pela família e levar o sustento para casa, ocasionando em uma sobrecarga abusiva de trabalho, apartando a população masculina de tirar um momento para cuidar de si, consequência de um machismo socioestrutural. Entretanto, tal tangenciamento ao autocuidado pode levar a sérios problemas de saúde, como câncer de próstata, uma das doenças mais polêmicas entre o universo masculino devido ao preconceito com o exame de toque retal, o qual muitos assimilam como uma indução a homossexualidade.
Portanto, o Governo, juntamente ao Ministério da Saúde e as principais redes de televisão, como Rede Globo e Sbt, deve criar um projeto totalmente voltado para os homens brasileiros com o intuito de informá-los sobre os grandes riscos e consequências graves do tangenciamento do autocuidado masculino, a fim de moldar e reestruturar, a visão preconceituosa e ríspida da população masculina brasileira diante de tal tangenciamento, além de incrementar no cotidiano dos rapazes o ato de cuidar de si. Diante disso, haverá o rompimento da barreira do preconceito socioestrutural de décadas e a redução do número de casos de doenças graves, como câncer de próstata, incluindo de forma harmônica o autocuidado masculino nos lares brasileiros.