A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 30/08/2022
Jeca Tatu, personagem de Monteiro Lobato, sem crer na possibilidade de adoecer, contraiu o parasita da febre amarela. Paralelo à ficção, vê-se muitos jecas na reali-
dade: homens que superestimam sua saúde e põem sua vida em risco, problema decorrente do machismo e da falta de reflexão social, sendo imprescindível intervir.
Primeiramente, cabe citar a tese do filósofo Foucault, que diz que a sociedade mo-derna tende a tornar tabu os assuntos que causam desconforto à população. Sob essa óptica, percebe-se que a saúde do homem tornou-se vergonhosa socialmente em função do machismo estrutural que, ao impor às mulheres que elas devem ser frágeis, faz os homens acreditarem que têm que ser fortes. Consequentemente, para não se sentirem fracos, evitam ir ao médico, o que pode ocasionar problemas sérios, como o câncer de prostata.
Outrossim, conforme o conceito de “Banalidade do Mal”, da filósofa Hannah Aren- dt, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, a sociedade passa a vê-la como banal. Desse modo, evidencia-se a normalização da pressão gerada nos ho-mens em serem vistos como tais, os levando a evitar os exames de rotina e conse-quentemente ficarem mais vulneráveis à doenças ou até mesmo à morte, devido à falta de reflexão social acerca da misoginia. Dessa maneira, torna-se necessário desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos.
Portanto, urge que o gorverno crie campanhas sobre as heranças do patriarcado e seus males, as divulgando por meio das mídias sociais, a fim de educar a popu-lação, além de os hospitais reforçarem a importância dos “check-ups” em homens. Destarte, espera-se que existam menos “Jecas Tatu” no Brasil.