A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 16/07/2022
Nascemos ouvindo o tabu de que “homem não chora” desde dos pais até a sociedade. Na verdade, todo ser humano necessita expor seus sentimentos, não é porque ele é homem que não pode chorar, amar, ter afeto ou esquecer do autocuidado. Nesse contexto, em específico, como vivemos em uma sociedade racista, acarrenta uma problemática em homens pretos se desconhecendo ao longo do tempo, muitas das vezes objetificados e também não cuidando da saúde.
Em primeira análise, o homem preto no fim da escravidão em 1888, já sofria preconceito ao serem chamados de malandros, perigosos, preguiçosos, e a socidade ainda usava a expressão, piada pejorativa de que “negro fedia”, ou seja, sempre associaram esses indivíduos de forma inferior. Quantos desses homens desconheceram seu cabelo black e sua barba porque os pais constantemente davam dinheiro para corta o cabelo bem baixo e tirar a barba, quantas das vezes objetificados por terem um corpo mais sarado. Nessa perpectiva, o tabu é criado e o autocuidado acaba ficando de lado.
Em segunda análise, a frase “homem não chora” pode virar uma realidade de “homem não chora, mas se mata”, a Organização Mundial da Saúde aponta uma taxa pode ser três vezes maiores que as mulheres. Por esse tabu de infância, consequentemente, acabam não procuram fazer terapia para saber lidar com os sentimentos, nem vão ao médico fazer exame preventivo como o de próstata, e quando a mulher sugere uma vasectomia, o homem relaciona a sexualidade ou a impotência sexual. Diante da sociedade, o homem não pode ser frágil, já tem que nascer jogando bola e brincando de carrinho, não podendo expressar o que sente.
Há, portanto, a urgência de findar essa problemática notória no Brasil. Cabe, então, iniciar a descostrução do tabu a cerca da masculinidade através dos pais criando o homem preto de uma forma que consiga ser quem é, mostrando que o autocuidado e saúde é muito importante para o desenvolvimento humano. E, como vivemos em um contexto racista, os indivíduos necessitam ter empatia e excluir essas expressões, piadas pejorativas para que não afete a autoestima do outro e nem o tornar preconceito como algo normal.