A necessidade de desconstruir o tabu acerca dos cuidados masculinos
Enviada em 21/07/2022
Na Grécia antiga, a população masculina de Esparta - a grande cidade guerreira - recebia treinamento militar desde a infância, para que os meninos se tornassem grandiosos e impiedosos guerreiros - considerado o estereótipo perfeito do homem. Logo, percebe-se que a figura masculina, desde sempre, teve a necessidade de ser vista como resistente, o que torna homens cuidadosos e vaidosos vistos como estranhos, tornando pertinente debater acerca das consequências desse preconceito e a importância de sua desconstrução.
Em primeiro lugar, deve-se questionar o porquê da negligência a saúde ser sinônimo de masculinidade. É nítido que o estereótipo que reforça a ideia de que homens não podem demonstrar fragilidade prejudica não só a prevenção, mas também facilita a disseminação de doenças, uma vez que a maioria não realiza os exames de rotina. De acordo com Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, o maior erro de um homem é sacrificar a sua saúde, ou seja, zelar pela vitalidade não é sinônimo de fragilidade, mas sim de inteligência, uma vez que a ignorância, nesse caso, pode levar à morte.
Ademais, a ignorância instaurada na sociedade contribui para a precaridade da saúde pública. Ao analisar o pensamento do filósofo racionalista Immanuel Kant: ‘‘O ser humano é aquilo que a educação faz dele’’, pode-se concluir que o rótulo imposto aos homens, além de prejudicá-los, põe em risco a saúde, principalmente, das mulheres, uma vez que seus companheiros evitam os consultórios médicos.
Com isso, toda a população é colocada em risco por consequência do preconceito da sociedade patriarcal, que não admite homens vaidosos, apenas desleixados.
Portanto, é imprescindível que as escolas e a mídia, por meio de palestras e propagandas, conscientizem a população acerca da urgência de desconstruir a imagem da figura masculina como a do homem espartano, a fim de permiti-los a serem humanos, e não ‘‘máquinas’’. Isso seria efetivado com a implementação do conhecimento acerca da saúde nas instituições de ensino e da divulgação da importância dos exames de rotina, o que permite a construção de uma consciência coletiva, pois enquanto o medo e a vergonha de zelar pela própria saúde for a regra, a vitalidade sempre será a exceção.