A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 23/11/2020
No tramitar da Revolução Francesa, o jovem jornalista Camille Desmoulins instigou o ataque à Bastilha, momento que marcou o movimento da mesma forma, em várias outras situações. Dessa maneira, é notável a presença do jovem como protagonista de expressivas mudanças sociais. Porém, a realidade presente no Brasil demonstra que uma parcela significativa dos indivíduos dessa faixa etária encontram-se em estado inercial- A geração nem-nem, que nem estudam e nem trabalham, o que corrobora um agravante social. Isso, se deve sobretudo, a dependência excessiva e da falta de escolaridade. Logo, com o escopo de mitigar tal conjuntura, medidas sociais e estatais são fulcrais.
É indubitável pontuar, inicialmente que pais super protetores e ambientes escolares que não estimulam a autonomia contribui para o aumento de jovens excessivamente dependentes. Sob esse prisma, é válido mencionar a premissa do filósofo Kant - “A heteronomia ocorre quando a racionalidade do indivíduo está sob tutela alheia”. Dessa forma, os adolescentes nesse estado encontra obstáculos para tomar decisões essenciais como a escolha da profissão, tornando-se, em geral um “nem-nem”. Tal fato, comprova-se com os dados apresentados pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que afirma que 23% dos jovens brasileiros não estudam e nem trabalham. Assim, essa concepção intransigente denota uma atuação mais engajada do Estado, a fim de mitigar tal patologia social.
Outrossim, é imprescindível ressaltar que apesar de ser garantida na Constituição Federal a educação não está plenamente ao alcance de todos. De acordo com o jornalista Jessé Souza, o conceito de subcidadania é definido como o estado em que os direitos básicos são negligenciados aos cidadãos, seja por responsabilidade do Estado, seja por responsabilidade dos demais indivíduos. Nesse sentido, os jovens que vivem em áreas periféricas geralmente encontram-se em subcidadania, pois não têm acesso ao ensino de qualidade devido à negligência do Estado às instituições nessas áreas. Desse modo, o ingresso no mercado de trabalho e nas universidades torna-se praticamente inalcançável a esses indivíduos. Nesse sentido, é substancial a tomada de soluções quanto a esse impasse.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço de tal problemática. Para tal, o Estado em parceria com o Ministério da Educação deve destinar recursos que visem melhorar a qualidade da educação, bem como garantir o acesso do ensino para todos, em especial nas áreas periféricas. Essas ações podem ser viáveis através da contratação de professores especializados, infraestrutura nas instituições e grade curricular que incentivem o protagonismo do jovem no mercado de trabalho, com o fito de garantir a estes autonomia na tomada de decisões e a garantir estabilidade financeira. Assim, teremos jovens protagonistas semelhantes ao jornalista Camille Desmoulins.