A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 04/10/2020

Na obra “O engenhoso fidalgo Don Quixote da Mancha”, de Miguel de Cervantes, a personagem Don Quixote cria um mundo ideal, no qual deve reinar a justiça, a beleza e a honestidade. Ao considerar esse simbolismo utópico, a marcar as façanhas de Quixote, para lançar olhar crítico sobre jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil, é imprescindível considerar que a falta de incentivo ao desenvolvimento de autonomia e de responsabilidade na juventude brasileira, entram em conflito com a visão do personagem. Nessa perspectiva, torna-se pontual examinar a formação educacional oferecida aos jovens brasileiros, questionando a desenvolvimento de habilidades voltadas ao mercado de trabalho, bem como avaliar a atuação do Estado no combate a essa problemática.

Diante dessa premissa inicial, é preciso esclarecer que boa parte juventude brasileira não tem uma qualificação adequada para a competição no mercado de trabalho, em razão do sistema educacional brasileiro conteudista que privilegia a grade tradicional de conteúdos e habilidades, em detrimento do desenvolvimento de autonomia e de habilidades criativas nos alunos. Acrescente-se a esse ponto o fato de que a alta competitividade por vagas de emprego é extremamente prejudicial aos jovens que vivem em situação de vulnerabilidade social, visto que muitos são obrigados a deixar a escola para buscar maneiras de contribuir com a renda mensal familiar. Dessa forma, fica claro que esse cenário deve ser desconstruído para o desenvolvimento sadio da juventude brasileira.

Ainda nessa perspectiva, é necessário questionar o papel do Estado na criação de oportunidades de emprego, tendo em vista a ineficiência das políticas púbicas voltadas para a inserção dos jovens no mercado de trabalho. Diante desse contexto, ganha voz a concepção de Aristóteles, relatada em seu exemplar “A Política”. Segundo o pensador, é dever do estado assegurar, por meio da política, o bem-estar social. Vale ressaltar, entretanto, que a incapacidade do Poder Público de criar oportunidades de emprego para a juventude evidencia uma ruptura na harmonia social por parte da entidade estatal. Logo, é notável que o Governo deve reformular o plano de atuação nessa área.

É preciso, portanto, promover ações que realmente possam alterar esse quadro. Em um primeiro momento, é imprescindível que Ministério da Educação, braço do governo responsável pela execução da Política Nacional de Educação, adequar a orientação dos jovens brasileiros à competitividade do mercado de trabalho, pautado na inserção de matérias voltadas para o desenvolvimento de autonomia de criatividade na BNCC, visando a melhor qualificação dos jovens brasileiros. Outra medida importante a ser efetivada pela Secretaria do Trabalho é ampliar vagas de estágio em instituições estatais e cursos técnicos qualificadores, a fim de oferecer reais oportunidades à juventude brasileira.