A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 11/04/2021

A obra musical “Deixe Essa Vergonha de Lado” do cantor Odair José, retrada a situação de abuso e preconceito sofrido pelas empregadas domésticas, que diversas vezes trabalham numa condição desumana. No contexto atual, esse cenário transcende a arte e mostra-se presente na realidade brasileira. Nesse viés, dois aspectos apresentam-se como obstáculos para a atenuação dessa problemática: os abusos físicos e psicológicos que diversas trabalhadoras domésticas passam em seus ambientes de trabalho e como a questão racial influencia no pagamento  dessas funcionárias.

Em primeiro lugar, embora as leis trabalhistas em prol das domésticas, tenham auxiliado e melhorado muito o modo de vida e de trabalho dessas mulheres, não eliminam o fato de que muitas, por medo de perder o trabalho e consecutivamente o ganha pão de sua família, se subordinam a situações de violência física e verbal. É possível citar, como exemplo, o filme “Histórias Cruzadas”, o qual narra a perspectiva das empregadas negras acostumadas a cuidar dos filhos da elite branca, as quais reconhecem-se e sujeitam-se a serem tratadas como inferiores por seus patrões.

Sob esse mesmo ângulo, apesar de mulheres não negras e negras lutarem ambas por direitos de igualdade, essas lutas ocorrem de formas distintas, pois enquanto as mulheres brancas lutam pelo direito de assumirem cargos altos em empresas, inúmeras mulheres negras reivindicam ainda por condições básicas de dignidade, como pagamentos justos em trabalhos domiciliares. De acordo com o Ipea, empregadas negras recebem cerca de cinquenta e seis reais a menos do que as brancas, essa discrepância de salário, muitas vezes é despercebida pelas trabalhadoras negras, por conta da sua falta de conhecimento de seus direitos.

Mediante o panorama exposto, o Governo Federal, como instância máxima de administração executiva, junto com o Ministério do Trabalho, deve atuar a favor das domésticas, por meio de ações efetivas, como uma ajuda monetária as mulheres que sofrerem abuso físico e mental de seus patrões, assim garantindo que não passem necessidades até encontrarem outro emprego e contribuindo para que mais trabalhadoras não aguentem caladas as situações extremas que passam. Além disso, é imperativo a criação de cursos gratuitos sobre os direitos das funcionárias e como garanti-los, nos quais seria obrigatório que os chefes as inscrevessem. Desse modo, visando uma realidade diferente da descrita na música de Odair José.