A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 22/03/2021

Tarsila do Amaral, artista paulista. Nise da Silveira, médica maceioense. Benedita da Silva, política carioca. Apesar de o movimento feminista ter lutado para que mulheres como essas se destacassem, os dados mostram que ainda há desafios para a representatividade no Brasil. Atualmente, elas são 6% dos produtores de arte do MASP (Museu de Arte de São Paulo), 69 dos 518 membros da Academia Brasileira de Ciências e 14,8% da Câmara dos Deputados. É necessário, portanto, analisar as causas e consequências desse problema: o machismo e a falta de identificação entre o público feminino, respectivamente. Antes de tudo, cabe ressaltar que o machismo, enraizado na sociedade há séculos, contribui para a carência de representatividade. Devido a essa mentalidade, inúmeras profissionais do gênero feminino, mesmo sendo igualmente qualificadas, são menos valorizadas do que os homens. Segundo dados do CNPq, por exemplo, as mulheres são maioria na concessão de bolsas para iniciação científica, no entanto recebem somente 36% das de pesquisa. Logo, elas continuarão tendo uma representatividade insuficiente tanto na ciência quanto em outras áreas caso o pensamento machista não seja combatido. Como consequência disso, as próximas gerações femininas não terão em quem se espelhar, o que influenciará sua percepção da realidade. Nesse sentido, o filósofo iluminista francês Rousseau afirmava que “O homem é produto do meio em que vive”. De maneira análoga, se as meninas – futuras mulheres – viverem em um país em que as profissionais do gênero feminino não são reconhecidas, elas serão desestimuladas. Sendo assim, a atual falta de representatividade faz com que estereótipos de gênero sejam perpetuados. Diante desses aspectos, percebe-se que é preciso acabar com as causas do problema para que ele não traga consequências negativas. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deve, em parceria com o Ministério da Educação, criar o projeto “Representatividade feminina para qualquer idade”, por meio de verbas cedidas pelo Tribunal de Contas da União. A partir dele, cientistas e artistas que ainda não foram devidamente reconhecidas darão palestras em escolas e distribuirão uma circular com o “QR code” de um questionário “online” desenvolvido por elas. Nesse teste, os pais dos alunos terão de identificar frases machistas e, ao final, as de cunho discriminatório serão associadas, cada uma, à rede social da profissional que a ouviu, de modo que o trabalho delas seja divulgado. Assim, mais Tarsilas, Nises e Beneditas serão notadas e as meninas poderão se inspirar nelas.