A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 24/02/2021

“De Pernas Pro Ar” é um filme brasileiro que retrata o cotidiano de duas empresárias de sucesso. Nesse sentido, a obra foca em Alice, uma executiva que, diariamente, tenta conciliar os afazeres domésticos com a rotina de trabalho e, após ficar sobrecarregada, é forçada a tirar licença do serviço. Fora da ficção, é fato que, no Brasil, houve um aumento progressivo do empoderamento feminino no mercado de trabalho. No entanto, a cultura do patriarcado e a desigualdade salarial apresentam-se como desafios na busca por igualdade de gênero no setor econômico. Em primeira análise, vale salientar que heranças históricas implicam diretamente no pleno exercício feminino nas empresas. Na cidade de Atenas, Grécia Antiga, os garotos eram preparados para a vida política, enquanto as garotas para servirem a família. Sob essa ótica, fica explícito que a sociedade atual ainda carrega traços da antiguidade que dita o homem como provedor e autoridade suprema, sendo responsabilidade feminina o cuidado com os filhos. Por consequência, as mulheres mantêm dupla jornada de trabalho com o objetivo de equilibrar a vida de mãe com a de empreendedora. Dados divulgados pelo jornal O Globo, no ano de 2018, ao calcular o tempo no emprego com as atividades do lar, as meninas chegaram a trabalhar 65 horas semanais, contra 50 dos meninos. Assim, permanece instaurada na população a cultura do patriarcado: os homens dominam o mercado de trabalho. Ressalta-se, ademais, que conforme o artigo 5º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), os salários devem ser iguais, sem distinção de sexo, para trabalhos de igual valor. Contudo, verifica-se que a lei não é totalmente eficaz ao observar que os homens ganham 30% a mais que as mulheres para exercerem as mesmas funções, como afirmado, em 2018, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa conjuntura advém do contexto histórico que, ao atribuir às garotas somente serviços domiciliares e delimitar seu acesso à educação, contribuiu para sua entrada tardia nos negócios, o que gerou preconceito e disparidade de privilégios entre gêneros. Portanto, medidas são necessárias, a fim de amenizar o quadro atual. com o objetivo de mudar a cultura patriarcal, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas públicas, aulas nas escolas que ensinem que homens e mulheres podem compartilhar do mundo empreendedor e juntos dividirem as tarefas de casa sem que haja preconceito. Simultaneamente, oferecer cursos de capacitação, por intermédio de Institutos Federais, que preparem as garotas para o mercado de trabalho e, consequentemente, diminua a disparidade salarial que tem como justificativa a diferença do grau de instrução. Somente assim, será possível combater o pensamento machista da sociedade que impõe o homem como superior. Feito isso, os obstáculos vivenciado pela personagem no longa metragem deixarão de ser realidade.