A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 19/12/2020

O primeiro banheiro feminino do senado brasileiro só foi construído após 55 anos da inauguração do prédio, realizado em 1960. Tal fato exemplifica a dificuldade de aceitação da mulher em cargos de grande representatividade. Nesse contexto, é possível observar que, apesar de notáveis conquistas de inserção no mercado de trabalho, essa minoria ainda enfrenta obstáculos simbólicos.

Primeiramente, é válido ressaltar que os avanços femininos no exercício laboral são significativos. A exemplo disso estão as conquistas por direitos, como a licença maternidade - previsto no artigo 7º da Constituição Federal- e a garantia de isonomia salarial entre colaboradores que exercem mesma função - também assegurada pela ‘’Constituição Cidadã’’, no artigo 5º-. Ademais, esses progressos são igualmente visíveis na taxa de empreendedorismo. Conforme Sebrae, as mulheres são idealizadoras e comandantes de 48% dos Microempreendedores Individuais (MEI). Vê-se, pois, que a luta feminina por reconhecimento no mercado de trabalho tem atingido estágios inéditos.

Em contrapartida, é possível verificar que a figura feminina está, constantemente, subjugada por preconceitos disfarçados de ‘’lógica capitalista’’. Nesse sentido, a rejeição de mulheres por terem filhos ou por não ser necessário pagar licença maternidade são naturalizados no ambiente corporativo. Tal ações podem ser consideradas como violência simbólica, conceito cunhado pelo filósofo francês Pierre Bourdieu, uma vez que tem como objetivo coagir mulheres para não tornarem suas participações efetivas em núcleo laboral. Dessa forma, o discurso dominante age de forma a negar a transformação, que pode ser custosa, porém, assim como o banheiro feminino do senado atrasado 55 anos, ela virá.

Portanto, diante dos empecilhos enfrentados pelas mulheres no ramo laboral, faz-se necessário ações para atenuar a problemática. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação a elaboração de discussões e exposição sobre a participação feminina no mercado de trabalho, por meio das aulas de Geografia, História e Sociologia, com o objetivo de desfazer a visão estigmatizada da mulher, trazendo-a a papéis isonômicos. Assim, será possível desfazer os preconceitos que impedem esse grupo minoritário atingir a completude no exercício de trabalho