A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 17/10/2020
Na obra " Brasil: uma biografia “, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling apontam ao leitor as idiossincrasias da sociedade brasileira. Dentre elas destaca-se a difícil e tortuosa construção da cidadania. Tal fato é evidenciado nas dificuldades enfrentadas pelas mulheres no mercado de trabalho, tendo em vista que apesar dos brasileiros possuírem o acesso a isonomia salarial como direito constitucional, a lenta mudança da mentalidade social, associado a inoperância governamental faz com que a cidadania não seja gozada por todos de maneira plena.
Em primeira análise, vale destacar as consequências do patriarcalismo existente no corpo social. De acordo com o filósofo John Locke, em sua " Teoria da Tábula Rasa “, retrata que os indivíduos são preenchidos por experiências positivas e negativas que afetam todo o seu desenvolvimento. A partir dessa visão, decorrente do preconceito fixado na comunidade, inúmeras mulheres ao ingressarem no mercado de trabalho são alvos de agressões psicológicas e banalizadas pela comunidade ao seu redor, o qual a permanência dessa discriminação corrobora para proliferação de ociosidade de mulheres em postos de trabalho. Como consequência disso, as mulheres não atingem a plena vivência da cidadania.
Ademais, outro fator a salientar é a negligência das autoridades na resolução desse problema. Segundo o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra " O Cidadão de Papel “, nem sempre as leis presentes nos documentos oficiais nacionais são cumpridas, o que desencadeia uma realidade em que os indivíduos são reconhecidos e amparados pelo Estado apenas no papel. Esse cenário é presente no Brasil, posto que a garantia da Lei do Trabalho é responsabilidade do Governo, no entanto, tal direito não é fiscalizado pelos órgãos governamentais do trabalho e, dessa forma, as mulheres acabam sendo menos remuneradas. Sob tal ótica, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres ganham cerca de 20 % a menos que os homens no país.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar o problema. Para tanto, urge ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, promover, por meio das disciplinas de História, Sociologia e Filosofia, debates e palestras que demonstram a importância do sexo feminino no mercado de trabalho, a fim de descontruir o machismo enraizado no país. Outrossim, compete ao Ministério do Trabalho, investir em campanhas de divulgação relacionadas aos direitos trabalhistas das mulheres, mediante propagandas na TV aberta e mídias sociais como Facebook, Twitter e Instragram, a fim de amenizar as dificuldades que a mulher brasileira enfrenta no mercado de trabalho. Assim, a construção da cidadania será facilitada.