A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 14/10/2020

São Tomás de Aquino, com suas importantes contribuições filosóficas e teológicas, defendeu que todas as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. No entanto, as inúmeras desigualdades sofridas pelas mulheres frente ao mercado de trabalho contraria as concepções do filósofo. Nesse contexto, é evidente que a problemática é persistente devido ao legado histórico e à lenta mudança na mentalidade social.

Nessa perspectiva, é indubitável que as diferenças hierárquicas ancestrais influem decisivamente na consolidação do problema. Isso porque foi somente a partir do século XIX, com a Revolução Industrial, que as mulheres foram inseridas no mercado de trabalho, mas recebendo salários inferiores aos dos homens, mesmo ocupando cargos iguais. Essa condição é, infelizmente, observada analogamente nos dias atuais e lustrada no filme “Revolução em Dagenham”, que mostra a luta das mulheres por melhores condições salariais em um “mundo dos homens”.

Em consequência disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da lenta mudança da mentalidade social. Sob esse viés, Durkheim afirma que o fato social é a maneira coletiva de pensar. Assim, é perceptível que a desigualdade de gênero no mercado de trabalho é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, visto que a convivência em um contexto desigual pode influenciar de forma negativa o comportamento humano. Portanto, verifica-se que mesmo após avanços, o direito de igualdade pregado pela Constituição Federal permanece apenas no papel.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para a mudança desse cenário. Para esse fim, é necessário que o Ministério da Educação em parceria com a Secretaria da Cultura desenvolvam um programa educacional voltado para as empresas, por meio de videoconferências com cientistas e especialistas, com o intuito de abordar o enraizamento de preconceitos na sociedade e levar dados científicos sobre o excelente desempenho e capacidade da mulher no mercado de trabalho, visando, assim, a quebra de paradigmas socialmente alimentados.