A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 12/07/2020

A Revolução Industrial não provocou mudanças apenas no meio de produção das mercadorias, a organização social também sofreu alterações. Com uma demanda maior de mão de obra nas fábricas, as mulheres, que antes exerciam apenas o papel administrador do lar, foram inseridas no mercado de trabalho e passaram a enfrentar jornadas igualitárias às dos homens. Todavia, para os donos das fábricas, eram vistas como “mão-de-obra barata”, já que nessa visão eram consideradas menos hábeis para o ofício industrial, sendo perceptível um preconceito relacionado à divisão do trabalho. Semelhante a essa época, no contexto brasileiro contemporâneo, o rendimento médio das mulheres é drasticamente menor em comparação ao dos homens. Evidentemente, embora as mulheres estejam inseridas no mercado de trabalho sofrem discriminação de gênero, o que é crítico.

Primordialmente, considera-se que a maioria das mulheres levam uma jornada dupla de trabalho,  uma vez que pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), revelam que o público feminino gasta o dobro de tempo com atividades domésticas, em comparação aos homens. Posto isso, é apontado que as mulheres não podem realizar horas extras por serem as responsáveis pelo cuidado da residência, ou seja, considera-se o trabalho como atividade secundária, e por esse motivo exercem menos horas semanais que o público masculino.

Ademais, cargos mais elevados e com maior remuneração, na maioria das vezes, são ocupados por homens. Diante disso, Helena Hirata afirma que, o fato das mulheres realizarem trabalhos domésticos não remunerados, por amor ao lar, faz com que elas não sejam valorizadas na profissão. Esse pensamento é intensificado devido a preocupação com a gravidez, que irá gerar a licença maternidade da funcionária e consequentemente desfalque no serviço. Além disso, julga-se que quando um familiar encontra-se doente, é requisitado o cuidado de mulheres, o que ocasiona a saída do mercado de trabalho e dessa forma, tem-se o desenvolvimento profissional afetado.

Portanto, para que o público feminino deixe de ser prejudicado pelo pensamento da sociedade patriarcal, urge que o Ministério do Trabalho intensifique as fiscalizações referentes às leis trabalhistas relacionadas à equiparação salarial, por meio de fiscalizações diretas, ou seja, direcionando um auditor para realizar entrevistas aos trabalhadores de determinadas empresas, sem que haja, de fato, uma denúncia feita pela população. Somente dessa forma, a discriminação de gênero que diariamente afeta as mulheres e auxilia no progresso de pensamentos da sociedade brasileira que é marcada pelo patriarcado, será corrigida.