A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 10/05/2020
Uma luta constante: a dupla jornada de trabalho
No filme “A dama de ferro”, estrelado por Meryl Steep, é retratada a biografia de Margaret Thatcher, a primeira mulher a ocupar o posto de primeiro-ministro do Reino Unido. Nesse sentido, a narrativa foca nas dificuldades e no preconceito que a inglesa sofreu até chegar ao cargo, imersa em um ambiente patriarcal. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no longa pode ser relacionada ao Brasil do século XXI: ainda hoje, o machismo, consolidado na sociedade, reflete o papel do movimento feminista no combate aos estereótipos que distanciem as moças do mercado de trabalho.
Em primeiro plano, é mister compreender quais conquistas já foram alcançadas por essa corrente isonômica e como essa influencia as relações trabalhistas contemporâneas. Diante disso, há a Primeira Guerra Mundial que possibilitou o ingresso das mulheres nas fábricas com a saída dos homens para as batalhas e deu início à aceitação do emprego feminino. Com o passar do tempo, protestos em prol da regulamentação e equidade nas atividades trabalhistas foram ganhando força e tiveram seu auge com a Consolidação das Leis do Trabalho, em 1943, que promoveu práticas de incentivo ao serviço feminil e à igualdade salarial. A Terceira Onda Feminista reivindica, hoje, a total emancipação das moças no corpo social por intermédio da quebra de padrões e falas sexistas.
Sob esse prisma, tem-se o discurso do ex-presidente Michel Temer que, para elogiar sua esposa, caracterizou-a como bela, recatada e do lar, reforçando a imagem feminina ideal como sendo a de dona de casa, afastada da vida pública. Esses posicionamentos, que expõem a vida doméstica como exclusividade feminina, corroboram para a propagação de uma realidade árdua, marcada pela jornada dupla de trabalho. Nesse contexto, há o filme “Que horas ela volta?”, em que é retratada a vida de Val, uma emprega doméstica que, exausta da rotina maçante de serviço dobrado, pede demissão para que possa cuidar do neto, incapaz de conciliar emprego e família em mundo marcado pela desigualdade.
Por conseguinte, medidas hão de ser tomadas a fim de possibilitar às mulheres uma vida mais digna. Primeiramente, o Ministério da Cidadania deve prestigiar ações que promovam a equidade de gênero, como é feito pela ONU Mulheres, que premia empresas por suas políticas de igualdade salarial. Isso seria possível por meio da cooperação com a mídia e asseguraria o fortalecimento do trabalho feminil. Ademais, a Secretaria da Mulher, a partir da parceria com ONGs, precisa reforçar campanhas que evidenciem a necessidade de combate à misoginia, despertado o senso crítico da população acerca do tema, como é feito pelo governo australiano por intermédio da ação “Respect Women”. Desse modo, garantir-se-ia às brasileiras um futuro mais igualitário e distante do abordado em “A dama de ferro”.