A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 08/05/2020

O machismo é histórico e estrutural nas sociedades ocidentais. Contudo, na contemporaneidade, é no mercado de trabalho que as diferenças entre homens e mulheres mais se revelam. Tal situação se deve, principalmente, pela maior responsabilidade - cuturalmente atribuída às mulheres - de cuidados com os filhos, pessoas doentes ou idosas da família. Logo, muitas empresas preferem contratar homens.

No Brasil, pesquisas do IBGE e do Ministério do Trabalho, constatam que as mulheres ocupam mais os cargos que pagam menos, embora tenham mais anos de estudo que os homens. Isso decorre do fato de que ora as mulheres optam por cargas horárias menores, a fim de conciliarem o trabalho formal com o doméstico, ora não sejam promovidas ou não aceitem sê-lo em virtude de não conseguirem assumir mais compromissos ou responsabilidades.

Portanto, é importante ressaltar que a sociedade inteira paga um alto preço pela exclusão das mulheres, sobretudo as crianças. Amartya Sen, economista indiano, no livro “Desenvolvimento como liberdade” explica que o aumento de renda das mulheres repercute mais positivamente no IDH - Índice de Desenvolvimento Humano - em virtude do impacto direto gerado nos índices de mortalidade infantil e na taxa de fecundidade. Além disso, o autor defende que as liberdades se fortalecem mutuamente, ou seja, trabalhar fora pode significar escapar da violência doméstica ou ampliar as possibilidades de educação.

Dessa forma, dada a complexidade do problema, a solução deverá vir de várias frentes: da educação, da mídia, da família, enfim de toda a sociedade. Mas o agente principal é o Estado, que deverá implantar medidas através dos Ministérios da Família e da Economia de incentivos fiscais às empresas que contratarem mulheres, diminuindo, assim, os riscos. Ademais, promover a ampliação das vagas em creches e escolas de tempo integral, desonerando, assim, parte das responsabilidades que recaem sobre as mulheres.