A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 27/04/2020

Ao entrar em qualquer loja infantil é possível ver uma divisão bastante clara: de um lado, em tons rosas e delicados, prateleiras inteiras dedicadas à panelinhas de plástico, imitações de fogões e bonecas bebês; do outro, em azuis vibrantes, estantes com carrinhos, kits de construção e bonecos com cheios de personalidade. Seria a divisão de tarefas por gênero algo que começa logo na infância? Uma pesquisa feita pela Plan, organização internacional que atua nos direitos da criança, afirma que 81,4% das meninas relatam arrumar a própria cama, enquanto apenas 11,6% dos meninos o fazem. Além disso, a gerente técnica de empoderamento econômico e gênero da Plan, Célia Bonilha, aponta que há sobrecarga de tarefas para meninas. Enquanto elas arrumam a própria cama, os irmãos saem para brincar, pois cuidar da casa “não é coisa de menino”.

Sendo assim, fica claro que a divisão do trabalho pelo gênero começa desde a infância e tende a continuar no mercado de trabalho. Enquanto das mulheres se é esperado uma “jornada dupla”, onde elas trabalham fora e voltam para casa para cuidar das tarefas domésticas, homens são muitas vezes enaltecidos por “ajudar” vez ou outra nas tarefas da própria casa. Segundo pesquisa do IBGE do ano passado, a participação dos homens nas tarefas domésticas cresceu, embora ainda seja apenas metade do que fazem as mulheres.

Ademais, no ambiente de trabalho, é possível notar as diferenças de cargos entre gêneros. De acordo com uma pesquisa do Page Executive, apenas 16% dos postos de alta direção de grandes empresas são ocupados por mulheres. Fora isso, o IBGE aponta que mulheres ganham menos em todas as ocupações, fora que ganham em média 20,5% a menos que os homens do país.

Diante disso, faz-se necessário que o Governo Federal em parceria com o Ministério do Trabalho fiscalizem as empresas, estabelecendo multas àquelas que apresentarem desigualdade entre gêneros. Além disso, faz-se necessária uma reeducação da população através dos veículos de mídia, a fim de desvincular o pensamento machista presente tanto na sociedade quanto no mercado. Desse modo, será possível reverter a situação atual e fazer com que o Brasil se torne uma nação justa e tolerante.