A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 22/04/2020

Segundo a filósofa Heleieth Saffioti, as características naturais, como a raça e o sexo, criam mecanismos que funcionam como desvantagem no processo de entrada no mercado de trabalho. Tal pensamento é materializado na realidade brasileira, haja vista a recorrência de impasses enfrentados pelas mulheres apenas pelo fato de pertencerem a esse sexo. Nesse contexto, a oferta de empregos com posição de liderança, juntamente com um salário digno de seu trabalho não é equiparado quando comparado aos trabalhadores masculinos.

Primeiramente, não são, comumente, ofertados cargos de liderança para as mulheres. Isso porque a sociedade brasileira foi construída com base no patriarcalismo, modelo que apresenta a figura do homem como líder e provedor da casa. De fato, esse pensamento retrógrado contribui para uma visão generalizada e preconceituosa, a qual revela, erroneamente, que a mulher não consegue resolver problemas sob pressão, já que apresenta inconstância e fragilidade como características definidoras de tal sexo, equivocadamente, considerado frágil. A exemplo disso é um dado do Estado de Minas, o qual apresenta o fato de apenas três por cento dos cargos de lideranças em empresas serem ocupados por mulheres.

Além disso, tal parcela da população recebe em média menos que os homens. De fato, uma pesquisa do Pnad Contínua apurada pelo IBGE mostra que além da participação feminina não ter aumentado significativamente no mercado de trabalho desde de 2012, a sua renda média é vinte e seis por cento menor quando se compara com o rendimento dos homens. Tal estudo reflete claramente a presença de um filtro no momento da decisão do salário, baseado no machismo enraizado na cultura brasileira. Infelizmente, empresas deixam de receber os benefícios gerados pela diversidade de gênero, situação a qual implica o aumento da criatividade e da representatividade, atraindo mais clientes e maximizando os lucros.

Portanto, o Estado deve reduzir a desigualdade de gênero no mercado de trabalho, por meio de incentivos fiscais a empresa, caso estejam presentes mulheres em cargos de liderança, com intuito de diminuir o preconceito e ampliar o poder de ação dessa parcela da população. Outrossim, o Ministério do Trabalho deve ajudar na promoção da igualdade salarial, por meio do aumento da fiscalização dentro das empresas para verificar se há tal disparidade. Caso exista, deverá ser aplicada uma multa aprovada pelo Senado,a qual corresponderá ao dobro da diferença salarial, a fim de mitigar tal prática.