A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 19/04/2020

Desde o período colonial, a figura feminina brasileira vêm lentamente conquistando direitos e espaço dentro do país. Décadas de luta foram necessárias para a obtenção de direitos básicos considerados algo comum e que hoje em dia são desvalorizados e até mesmo vendidos, como o direito ao voto. Porém, uma grande e relativamente recente conquista para as mulheres brasileiras foi a possibilidade de participar ativamente do cenário político e econômico do país, o que abriu um leque de possibilidades para as mesmas.

Contudo, mesmo que existam inúmeras mulheres que alcançaram funções e feitos importantes, como o caso de Carlota Pereira de Queiróz, a primeira deputada federal brasileira, a ideia da mulher ainda é extremamente ligada à imagem de mãe e dona de casa, figura que surgiu há séculos e sofreu enorme influência da igreja católica durante a idade média, onde a mulher era tratada como inferior ao homem, se resumindo a uma posse deste último. Tal aspecto cultural se estende até os tempos modernos, o que se nota ao observar que a porção feminina da População Economicamente Ativa sofre mais que a sua contraparte masculina, que recebe salários maiores e funções mais valorizadas.

Apesar disso, os fatores culturais que geram as consequências acima podem ser considerados interpretações de uma cultura ainda mais antiga: a neolítica. Segundo o historiador Yuval Noah Harari, autor do livro Sapiens: uma breve história da humanidade, Com a descoberta de técnicas agrícolas, o ser humano se submeteu a uma vida sedentária que gerou enormes avanços sociais, tornando necessária a criação de novos métodos para administrar a crescente população. Com isso, foi criada a primeira forma de divisão do trabalho, baseada exclusivamente em idade e gênero. Homens se dedicavam ao trabalho braçal por possuírem maior estamina, enquanto as mulheres se preocupavam com a proteção da prole e cultivo de alimentos. Tal estilo de vida foi utilizado por milênios, e aos poucos deixou de ser uma questão de organização e sobrevivência para se tornar um aspecto religioso e cultural, afetando o estilo de vida brasileiro mesmo no século XXI.

Portanto, analisando os dados acima, nota-se que o ingresso da mulher no mercado de trabalho, apesar de oficializado, sofre com questões relacionadas à forma de pensar da sociedade brasileira como um todo. Por isso, devem ser adotadas medidas como reformas no Ministério do trabalho, visando a igualdade das possibilidades e de salários entre os dois gêneros, juntamente com medidas educacionais que devem ser praticadas principalmente pelos pais e escolas, visando desmistificar a figura feminina como algo caseiro e/ou inferior. Somente assim o Brasil estará a caminho de uma sociedade onde nossas crianças, não importando o gênero, poderão sonhar e ser quem quiserem.