A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 24/10/2019
Destoante de realidade ideal, a mulher brasileira ainda sofre diante das injustiças em meio ao mercado de trabalho. Nesse sentido, existe uma parte do problema ligada diretamente ao alto nível de disparidade de oportunidades, salário e de benefícios entregue ao público feminino diante de um cenário pautado sob a lógica do preconceito e da irrazoabilidade, na medida em que, infelizmente, persiste-se em definir este como o sexo frágil. Além disso, é fundamental notar que esse cenário contemporâneo é reflexo de um processo histórico na construção do país de fragilização e subjugação das mulheres.
Nesse perspectiva, o atual mercado brasileiro ainda permanece com uma estrutura cristalizada no que concerne ao processo de contratação dos funcionários, criando, infelizmente, um desnível salarial demasiado injusto. Por essa senda, embora tenha havido uma diminuição relativa no desnível da remuneração entre gêneros, ainda assim, como mostram os dados da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho, a remuneração média feminina em 2017 correspondia a mais de 85 por cento do salário dos homens, ou seja, preocupantemente menor, mesmo diante do mesmo grau de dificuldade e responsabilidade no cargo ocupado. Infere-se, desse modo, que os desafios da mulher no mercado de trabalho estão entrelaçados de forma ainda estrutural na sociedade brasileira.
Outrossim, a estrutura social vigente contribui para que as próprias mulheres submetam-se ao contexto de desigualdade. Nesse viés, Simone de Beauvoir sintetiza bem a ideia do que é necessário para que a transformação desse panorama se realize quando a firma que “não se nasce mulher, torna-se”, já que, justamente, o fundamento principal para a mudança baseia-se na ação – sair do estado inercial – e reivindicar, pelo próprio manifesto feminino, direitos e igualdade, tão precisos dentro de uma democracia cuja isonomia rege seu alicerce. Dessa maneira, é premente que a mobilização popular seja efetiva e incisiva sobre esse ponto, principalmente sobre a classe política com poderes para regular normas que possibilitem a garantia da equidade.
Destarte, existem uma série de desafios atrelados a ideia da mulher no mercado de trabalho brasileiro que precisam ser superados. Por isso, cabe, de antemão, ao Estado, na figura do Ministério do Trabalho, instaurar nos códigos normativos a obrigatoriedade de salários e benefícios idênticos para mesmo cargo para ambos os sexos, a partir de emendas aos parágrafos da CLT, por exemplo, com o intuito de garantir a distribuição eficiente dos direitos civis individuais e coletivos, garantindo respeito aos princípios democráticos. Dessa forma, alcançar-se-á, no futuro, maiores níveis de desenvolvimento social em um contexto em que todos serão, de fato, tratados equivalentemente.