A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 25/09/2019

Desde o período medieval - na denominada sociedade estamental -, as mulheres foram designadas a desempenhar um papel diferente dos homens. Enquanto os cônjuges proviam o sustento familiar, por meio do trabalho remunerado, em contraste, as esposas eram circunscritas integralmente às funções domésticas. No entanto, mesmo após séculos, os reflexos desta problemática, são, inquestionavelmente, enraizados em nosso corpo social. Como resultado, milhões de mulheres vivem, diariamente, uma dupla jornada, bem como, lutam pela igualdade salarial entre os gêneros no século XXI.

No seriado “Coisa mais linda” é retratado de maneira similar, o Brasil dos anos cinquenta, no qual, a população feminina enfrentava diversas batalhas em decorrência do patriarcalismo. Por conseguinte, era exigido que as mulheres se portassem de maneira subserviente e inferiorizada na presença de homens, sendo eles familiares ou não. Todavia, mesmo após 60 anos do período ilustrado na série, a problemática é, inegavelmente, uma discussão atual. Assim sendo, segundo a Pesquisa Nacional Por Amostra Domiciliar (PNAD), realizada pelo IBGE, em 2012, as brasileiras ganharam 72,9% do salário dos homens. Ou seja, mesmo com qualificações e funções similares, a equidade de gênero não existe de maneira efetiva no Brasil.

Surpreendentemente, apenas na década de 1960 foi sancionado o Estatuto da Mulher Casada, que, entre outros pontos, instituiu que a mulher não precisaria mais da autorização do marido para exercer trabalho remunerado. Da mesma maneira, outra contribuição essencial para a independência feminina, foi a criação da pilula anticoncepcional, na mesma década, abrindo portas para uma maior inserção da mulher no mercado de trabalho brasileiro. Contudo, atualmente, enfrentam o desafio de conciliar a vida dupla de dona de casa e trabalhadora, uma vez que, ainda recebem pouca contribuição masculina nos afazeres domésticos, devido a divisão arcaica de “serviços de mulher versus servições de homem”.

Ao observar os aspectos mencionados, logo percebemos, que a problemática é composta por diversos fatores e, em virtude disso, várias intervenções seriam cabíveis. Primeiramente, o governo nacional poderia inspirar-se na Islândia, que em 2012 tornou a igualdade salarial obrigatória. Logo, empregadores que não seguirem as diretrizes, irão, consequentemente, ser punidos financeiramente com multas. Outra medida cabível, seria destinada aos meios midiáticos e ao ambiente escolar, desconstruindo idéias machistas, incentivando a divisão de tarefas no ambiente familiar. Dessa maneira, as mulheres conseguiriam dedicarem-se ao aprimoramento no âmbito profissional, e, em consequência, construírem uma carreira de sucesso.