A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 04/09/2019

A divisão social por gênero marca a história da humanidade desde os princípios. Dessa forma, ser mulher na sociedade brasileira é enfrentar e superar a base hegemônica do patriarcalismo que rege o país até os dias de hoje. Contudo, sabe-se que a ascensão feminina, sobretudo no âmbito do trabalho, está se solidificando progressivamente, ainda que sejam poucas as mulheres que ocupam cargos de chefia e que ganham os mesmos salários por igual função dos homens. Logo, a presença dessas no mercado de trabalho sofre dificuldade na concretização do sucesso profissional e na busca da independência financeira, ambas voltadas à igualdade de gênero.

Primeiramente, sabe-se que as mulheres adentraram tardiamente nos postos de trabalho, principalmente porque tinham que desempenhar funções domésticas. Porém, as revoluções industriais e as manifestações feministas, especialmente no início do século XX, inseriram-nas nas fábricas, o que gerou um engajamento profissional tímido. Nesse contexto, mesmo após anos de lutas, o sexo feminino ainda sofre com a desigualdade salarial, os assédios morais, dentre outros. Por isso, segundo o IBGE, em 2016, apesar das mulheres serem a maioria dos trabalhadores com ensino superior, o cargo de chefia ou de gerência ocupado por elas nas empresas restringe-se a cerca de 37,8%, o que faz salientar a importância das reivindicações feministas no setor formal.

Ademais, outro problema verificado na sociedade brasileira é a restrição imposta, historicamente, para a inclusão do gênero nos empregos. Dessa maneira, muitas mulheres são, ainda, dependentes financeiramente de um mantedor, que comumente são seus pais ou seus companheiros. No entanto, o número de residências brasileiras chefiadas por elas foi de 29,8 milhões em 2015, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, um acréscimo considerável em relação aos anos anteriores. À vista disso, torna-se perceptível que cada vez mais o sexo feminino está se tornando autossuficiente frente as necessidades sociais, deixando de lado séculos de submissão e de passividade ao sexo masculino.

A mulher no mercado de trabalho, portanto, está suscetível a uma série de problemáticas que envolvem o crescimento profissional e a ruptura econômica familiar. Assim, o Estado deve proporcionar mecanismos de regulação dos direitos trabalhistas, sobretudo no âmbito salarial e na ocupação de cargos, por meio de legislações integradoras nos setores público e privado, a fim de reduzir os empecilhos profissionais. Além disso, a sociedade deve discutir o papel dos gêneros no ambiente doméstico e no ambiente do trabalho. Destarte, futuramente, as mulheres serão vistas de forma mais igualitária na sociedade brasileira.