A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 02/09/2019

A segunda guerra mundial alterou drasticamente o cenário do mercado de trabalho no Brasil. À medida que os homens eram convocados a lutar, as mulheres assumiram os postos de trabalho, sobretudo nas indústrias, garantindo, assim, o movimento da economia e o abastecimento do mercado interno. Hodiernamente, no entanto, nota-se que há, ainda, grandes desafios a serem superados no que tange à igualdade de gêneros no mercado de trabalho. Nesse sentido, é imperativo combater o legado histórico da inferiorização feminina nas relações de trabalho.

Convém ressaltar, mormente, que o patriarcado e o machismo - ideologias que predominaram no século XIX e XX - contribuíram, indubitavelmente, para as desigualdades de gêneros no acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho. Prova disso é retratado no filme " O sorriso de Monalisa", que conta a história de uma professora de artes que é demitida por estimular suas alunas à ingressarem na faculdade e a buscarem trabalho, o que era proibido na sociedade patriarcal da época. Nessa perspectiva, a obra demonstra as dificuldades de ascensão social enfrentado pelas mulheres, uma realidade brasileira, como consequência de uma herança histórica.

Em segundo plano, outro principal desafio enfrentado pelas mulheres é a diferença salarial entre os gêneros que ocupam o mesmo cargo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres brasileiras ganham menos do que os homens em todas as ocupações selecionadas na pesquisa. Esse fato demonstra a urgência de medidas públicas que alterem efetivamente o cenário de desigualdades de gêneros, a fim de que a valorização da mulher nos postos de trabalho não seja um evento isolado da segunda guerra mundial.

Destarte, fica claro a necessidade de combater o legado do patriarcado e de garantir a igualdade de direitos no mercado de trabalho. Para tanto, cabe ao Legislativo desenvolver um projeto de lei que proíba a desigualdade salarial entre os gêneros. É fundamental que o Ministério do Trabalho faça fiscalizações periódicas, além de criar um site de denúncias online para a identificação das empresas que descumpram a lei. Ademais, cabe as escolas, responsáveis tanto pela formação intelectual quanto moral de crianças e jovens, ofertarem à comunidade escolar palestras que promovam o respeito e a igualdade de gêneros, mediante a quebra de estereótipos que inferiorizam a população feminina. Espera-se com essas medidas garantir, gradativamente, os direitos que foram negados historicamente às mulheres.