A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 20/10/2019
A relação da mulher com o mercado de trabalho remete ao que o escritor Jean Baudrillard abordou em “À sombra das minorias silenciosas”, com a visão de uma sociedade irracional e segregada. Analogamente, a indiferença humana em torno da área social estabelece limites nas relações entre os homens. Dessa forma, a negligência social afeta, inclusive, a população feminina. É nesse viés que a problemática da existência de estereótipos relacionados à mulher no mercado de trabalho aponta a falta de consciência coletiva nos atuais paradigmas do Brasil.
Nesse sentido, as causas do atraso da presença feminina nos mercados de trabalho podem ser observadas sob perspectivas sociais e humanas, tendo em vista que se tornaram reflexos da perpetuação do individualismo no tecido social brasileiro. A ideia de que o homem é mais ágil ou mais eficiente fez com que as mulheres fossem excluídas dos meios de produção. Por anos, pensava-se que as mulheres nasceram para servir ao marido e cuidar da casa. Essas situações evidenciam estereótipos ultrapassados. Devido a isso, houve um atraso da presença feminina no mercado de trabalho. Logo, percebe-se, na área social, uma falência de ideologias que confirmam a visão de Baudrillard ao perceber como muitos desses estereótipos ainda se fazem presentes nos dias atuais. Evidentemente, é preciso salientar as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no âmbito trabalhista. Cerca de 30% das mulheres ganham menos que os homens, exercendo a mesma função. Esse fato demonstra a negligência social da população brasileira. Além disso, muitas mulheres não conseguem promoções no serviço porque, no preconceituoso mundo atual, é figura do homem que passa a ideia de autoridade e de comprometimento. Sob esse contexto, é certo declarar que a sociedade apresenta uma completa inversão de valores. Dessa maneira, ao analisar a questão da mulher no mercado de trabalho, pode-se dizer que há uma relação de interdependência entre o indivíduo e a sociedade, como teorizada pelo sociólogo alemão Norbert Elias.
Fica claro, portanto, que os preceitos elementares entre indivíduo e sociedade, assegurados pela teia de interdependência de Elias, devem ser explorados de forma que a população brasileira adquira novos valores de cidadania acerca do preconceito contra a mulher no mercado de trabalho . Nessa perspectiva, faz-se necessário que o Ministério da Economia –em parceria com instituições privadas- promova a criação de vídeos e de enquetes, por meio de plataformas digitais, com discussões e debates desenvolvidos por profissionais da área sobre a necessidade de abandonar estereótipos relacionados à mulher, de forma que a Educação Social desperte a preocupação e o conhecimento da população, já que se observa uma alteração nos padrões sociais brasileiros.