A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 03/09/2021
A obra da artista brasileira Tarsila do Amaral, “Abaporu”, retrata o corpo do ser humano de maneira desproporcional ao apresentá-lo com a cabeça consideravelmente menor em relação aos membros inferiores. Analogamente, a obra pode simbolizar a debilidade reflexiva que engloba a atmosfera dos entraves na mobilidade urbana do Brasil, uma vez que esse quadro reflete a ausência de desconforto social diante da problemática. Com isso, tanto o acelerado processo de urbanização brasileiro, quanto a herança histórica rodoviarista contribuem, de forma significativa, para essa realidade nacional.
Em primeira análise, convém destacar o impacto do intenso crescimento citadino de algumas regiões do país sem o devido acompanhamento governamental na permanência de desafios que impossibilitam a boa circulação de pessoas entre diferentes áreas. Nesse sentido, a partir da teoria da Instituição Zumbi, o sociólogo polonês Zygmunt Baumman diserta acerca da falta de qualificação de alguns setores sociais ao exercerem as funções destinadas a eles. Sob este viés, o fenômeno de expansão dos centros urbanos, em conjunto com a ineficiência das autoridades administrativas em garantir uma infraestrutura automobilística de qualidade, corroboram a debilidade do sistema de transporte. Assim, nota-se uma diminuição da fluidez do trânsito, com consequente ocorrência de extensos engarrafamentos.
Ademais, é imperativo destacar a cultura rodoviarista da sociedade tupiniquim como um dos fatores que validam a manutenção desse imbróglio. Durante o período liberal-democrático, o governo de Juscelino Kubitschek criou, visando incentivar a compra de bens duráveis pela população, condições atrativas de estímulo a entrada de empresas estrangeiras automobilísticas. Nessa perspectiva, o fomento ao mercado de automóveis, bem como ao consumismo exacerbado, em especial de carros individuais, permitiu o crescimento de uma deficiente mobilidade urbana em território brasileiro. Nota-se, dessa forma, como o impulso à aquisição dos modais de transporte particulares possibilitou o agravamento dos problemas ambientais, além de gerar prejuízos socioeconômicos ao país.
Verifica-se, portanto, a necessidade de ações interventoras que minimizem essa problemática da população verde-amarela. Para tanto, urge que o Poder Federal, mediante a cessão de capital público aos órgãos competentes, promova obras infraestruturais em todos os municípios brasileiros que visem a melhoria da mobilidade urbana e dos sistemas de transporte de massa. Outrossim, é imprescindível que as empresas privadas, por intermédio de expansivas campanhas publicitárias, criem e executem projetos sustentáveis no âmbito automobilístico, com intuito de impulsionar o ecodesenvolvimento. Destarte, será possível desconstruir a imagem retrata a obra nacional “Abaporu”.