A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 29/07/2021

A obra cinematográfica “Um trem para Lisboa” retrata o ir e vir de Gregório que realiza inúmeros percursos, pelo fato de sua cidade possuir um bom fluxo urbano. Com essa abordagem, o filme revela a importância da mobilidade urbana como fator fundamental no deslocamento populacional. Hodiernamente, fora da ficção, muitos brasileiros enfrentam longos trajetos para chegarem aos seus destinos, o que corrobora a má qualidade de vida. Dessa forma, pela irresponsabilidade governamental, além da falta de conscientização social, essa consequência se agrava na sociedade brasileira.

Com efeito, a negligência do estado, no que tange à qualidade do fluxo urbano, é um dos fatores que fazem com que essa prática não se efetue. Nessa prerrogativa, a ausência de projetos que visem intervir no descaso do deslocamento social contribui para precariedade desse setor e para a continuidade de estigmas que envolvem essa temática. Dessa maneira, parte da população deixa de usufruir de transportes públicos diversificados e qualificados, o que resulta no adoecimento populacional, devido a superlotação de coletivos. No entanto, apesar de a Constituição Federal de 1988 assegurar que toda pessoa deve possuir diferentes alternativas de meios de transporte como tratamento digno e essêncial à sadia qualidade de vida, essa lei não vigora, visto que não há investimentos estatais nessa área.

Nota-se, outrossim, que a falta de conscientização social é um fator influente na constância desse dilema. Nesse aspecto, o desleixo populacional, no que se refere a predileção por veículos particulares, relativiza a importância da consciência mobilística. Por conseguinte, o intenso fluxo citadino de automóveis de pequeno porte, aumenta o índice de poluentes liberados pela queima de combustíveis fosseis, o que resulta em doenças respiratórias que afetam a saúde pública e na poluição ambiental. Nesse contexto, a irrelevância comunitária quanto aos impactos causados pela ausência de mobilidade urbana, concorda com a abordagem feita por Owerll, em sua obra “ Modernidade Líquida”, quando afirma que, atualmente, as pessoas são fortemente influenciadas pelo egocentrismo.

Portanto, vistos os fatos que corroboram para ineficácia da mobilidade urbana, é mister uma ação estatal e social. Logo, o governo federal deve intensificar os projetos que viabilizem o fluxo urbano, por meio da diversificação dos transportes públicos, de modo que a expansão de malhas metroviárias e hidrovias sejam a principal alternativa, com o objetivo de diminuir o tempo de locomoção populacional e os intensos fluxos urbanos. Ademais, cabe ao Ministério da Educação divulgar as consequências da falta de consciência mobilística, com o intuito de aumentar a predileção pelos transportes públicos e diminuir a poluição. Dessa forma, assim como Gregório, todos se locomoverão de forma fluída.  sustentável.