A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 21/06/2021
No dicionário, a palavra mobilidade está relacionada ao ato de se locomover com rapidez de um lugar para outro e, de acordo com o artigo 5 da Constituição Federal, todos têm o direito de ir e vir. Entretanto, o atual cenário brasileiro contraria ambas referências citadas, uma vez que os desafios no que tange à mobilidade urbana são frequentes no país. Sob tal ótica, evidencia-se a necessidade de analisar a problemática, que persiste intrínseca na sociedade em virtude de um legado histórico adverso e da falta de infraestrutura adequada.
Em primeiro plano, é notável que a idealização de automóveis como representação de riqueza e status caracteriza-se como um grave impasse. Durante o governo de Juscelino Kubitschek, desenvolveu-se no Brasil um grande incentivo ao modelo rodoviarista em razão da implantação da indústria automobilística _ o que contribuía para expressar o poder econômico do país. Contudo, ainda hoje esses ideais permanecem enraizados na mentalidade do cidadão brasileiro, que é constantemente influenciado por grandes empresas a adquirir um veículo próprio. Assim, a excessiva quantidade de carros que circulam nas ruas torna-se cada vez maior, sendo que em determinadas ocasiões poderia ser evitada.
Outrossim, cabe ressaltar que a carência de outros meios de transporte também configura-se como um empecilho no que se refere à mobilidade urbana. Segundo pesquisa feita pelo IBOPE, 83% das pessoas que utilizam automóvel próprio todos os dias, mudariam seus hábitos se existisse um meio de transporte público satisfatório. No entanto, a precariedade dos ônibus e a ausência de ciclovias, por exemplo, impossibilita que isso aconteça. Dessa maneira, as alternativas oferecidas ao cidadão são quase exclusivamente direcionadas à obtenção de um carro, ou de uma moto.
Portanto, torna-se imperativo a adoção de medidas que alterem esse cenário desafiador. Cabe ao Executivo investir nos modais de transporte do Brasil, por meio da ampliação de pontos de ônibus qualificados e implantação de ciclofaixas seguras, de modo a incentivar um trânsito menos conturbado. Só assim as concepções capitalistas geradas durante o governo de JK serão minimizadas e a população estará de fato usufruindo de sua liberdade de ir e vir.