A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 21/04/2021
Nos versos da música “Tic, Tic Nervoso” da banda Spray, os quais ressaltam o estresse de um motorista com pouca gasolina em um transito caótico e barulhento, são apresentados os dilemas da mobilidade urbana no país. Nesse sentido, a obra refere-se a um cenário metropolitano brasileiro dos anos oitenta, o qual, embasado na euforia da industrialização automotiva incentivada por Juscelino Kubitchek, revela as consequências nefastas de tal implementação. Assim, observa-se que a inoperância pública tem intensificado os problemas relacionados a ausência de mobilidade urbana no país.
Em primeira análise, segundo a obra “Utopia” de Thomas Morus, uma sociedade assistida pelo Estado, é um dos pilares para a construção de um cenário ideal e harmônico. No entanto, o Brasil apresenta-se como um paralelo de distopia quando comparado a ilha de Morus. Haja vista, que o modelo econômico vigente no país preza mais pela lucratividade com as empresas automobilísticas do que com o bem estar da pupulação usuária dos modais de transporte. De forma que, segundo dados do IBGE, o país apresenta redes de metrô em apenas oito cidades brasileiras, que por sua vez, tal modal é mais rápido, comporta mais pessoas e possui um impacto ambiental menor quando comparado aos veículos usuais.
Somado a isso, de acordo com o filósofo contratualista Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir a paz e o hordenamento harmônico da sociedade. Entretanto, na medida em que se observa no país a falta de estrutura para transportes alternativos- bicicleta , deslocamento a pé e veículos sobre trilhos- conclui-se a transgressão ao contrato social de Hobbes. Haja vista que há uma sobrecarga de automóveis transitando, que por sua vez, intensifica a poluição do ar e sonora. Além disso, é válido ressaltar os prejuízos sociais que são intensificados como o estresse, ansiedade e aborrecimento. Em um episódio da telenovela brasileira “Império”, por exemplo, a personagem Eliane acordava antes das cinco da manhã para não perder o ônibus e chegar no horário marcado no trabalho. Paralelamente, essa é a realidade de inúmeros brasileiros residentes de áreas periféricas do país.
Portanto, cabe ao Congresso Nacional promover mais investimento na mobilidade urbana do país-mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias- a qual contará com uma nova lei que estabeleça a consolidação de novos polos de trabalhos e serviços que priorizem a admissão de funcionários que residam em locais próximos. Assim, objetiva-se diminuir os impactos ambientais e sociais que a delonga no trânsito proporciona. Com isso, gradativamente, o Brasil caminha rumo ao cenário idealizado por Morus.