A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 12/04/2021

Jean-Paul Sartre, filósofo existencialista, expõe em sua obra, “Os Caminhos da Liberdade”, o vínculo existente entre a liberdade e a responsabilidade social, no qual as atitudes de indivíduos e instituições refletem em todo corpo social, tendo essas, por fim, a necessidade de se basearem em valores éticos. Considerando a perspectiva sartriana na análise da mobilidade urbana no Brasil, nota-se que a ineficiência estatal, alinhada aos valores neoliberais, são os principais agentes na perpetuação de uma nação egoísta. Portanto, compreender as causas mais profundas dessa problemática é fator fundamental para se alcançar uma nação mais altruísta.

Com efeito, historicamente, consolidou-se no Ocidente o preceito liberal de que os indivíduos são livres para agirem socialmente buscando seu bem. Contudo, essa ação social deve vir sempre acompanhada de uma ética de responsabilidade que garanta o compromisso com o bem-estar coletivo. Por certo, é o que se percebe no caso do deslocamento nos grandes centros urbanos que, se eticamente bem conduzido, pode promover fluidez na mobilidade, redução de acidentes e diminuição dos poluentes. Paradoxalmente, quando esse viés não está no horizonte da ação coletiva, surgem problemas como grandes congestionamentos.

Isso acontece, sobretudo, em virtude da precarização do transporte público em virtude da ausência de políticas públicas eficazes que sejam capazes de promover mais conforto e eficiência, fazendo com que as pessoas optem pelo transporte individual. Agrava esse fato, ainda, o contexto neoliberal, no qual o sistema econômico e a sociedade de mercado idealizam, através do massivo bombardeamento de propagandas, a satisfação do indivíduo através da compra, por vezes, de veículos. Dessa maneira, na ausência de um projeto educacional voltado para a formação de um senso crítico, o solo para o egoísmo social torna-se fértil, em que se coloca os prazeres da liberdade individual acima da responsabilidade social.

Em suma, fica evidente o papel do Estado e do sistema neoliberal na construção de uma mobilidade urbana debilitada. Com isso, faz-se necessário a solidificação de um projeto educacional, dentro e fora das instituições de ensino, para o aprimoramento crítico da população. Contudo, o principal meio de resolução seria a melhoria nos serviços de transporte público, como o aumento da frota de veículos e das faixas exclusivas de ônibus, visando diminuir o tempo de locomoção e aumentar o conforto de quem usa. Para isso, o Estado designaria maiores verbas, arrecadadas através de impostos, para cidades que indicassem problemas na mobilidade urbana e que cumprisse um contrato de qualidade dos serviços. Destarte, os transportes em massa atuariam na substituição do transporte individual, tornando as vias mais fluidas, e, consequentemente, diminuindo o escancaramento do egoísmo. Assim, aproximando os indivíduos da responsabilidade social, bem como dos preceitos sartrianos.