A mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 19/12/2019

Ansiedade, estresse, dor de cabeça, sentimentos muito familiares àqueles que precisam enfrentar diariamente o trânsito das grandes cidades, são, todos, sintomas de uma crise na mobilidade urbana nacional. Com o crescente agrupamento populacional, a busca por soluções para essa questão vem tornando-se cada vez mais urgente. Todavia, questões como a insegurança nos espaços públicos e a baixa qualidade do transporte público, colocam as metrópoles brasileiras na lanterna de qualquer ranking sobre o assunto.

Inicialmente, deve-se atentar para os motivos por trás do principal vilão do deslocamento metropolitano efetivo: o excessivo número de carros. As alternativas ao uso do automóvel podem ser reunidas em dois grupos, respectivamente: deslocamento sem a utilização de veículos, e deslocamento por meio do uso de conduções coletivas. Em relação ao primeiro, denota-se que a sensação de insegurança no espaço público é o principal fator inibitório dessa forma de locomoção, e há razão para tanto, um levantamento feito pelo Mapa da Violência indica que, apenas na primeira metade de 2019, ocorreram 17,9 mil mortes violentas no país. Além disso, no que tange ao segundo grupo de alternativas, a preferência pelo uso de automóveis é resultado da baixa qualidade e amplitude dos serviços de transporte coletivo, vitimados uma generalizada escassez de verba pública.

Consequentemente, da predileção pela condução de carros, surge uma ampla gama de malefícios aos cidadãos, que vão de prejuízos financeiros, até danos à saúde e ao meio ambiente. Segundo pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito, estima-se que moradores das grandes cidades brasileiras gastam, em média, mais de duas horas, por dia, com deslocamentos, tempo absolutamente improdutivo. Ademais, essa preferência também é responsável pelo catastrófico aumento nas taxas de emissão de CO2, gás causador da atual intensificação do efeito estufa, cuja liberação, por pessoa, é quase oito vezes maior em automóveis do que em ônibus, e 36 vezes superior aos índices registrados em metrôs, conforme estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

Frente ao exposto, a solução para a mobilidade urbana brasileira pode estar na assimilação de um conjunto de políticas já empregadas em algumas megalópoles europeias. A criação de uma tarifa de valor elevado, mas proporcional ao valor do veículo, deve ter sua incidência vinculada à circulação de automóveis em zonas de maior congestionamento. Cabe às prefeituras das grandes cidades administrar a implementação de câmeras que controlem a circulação de veículos, a fim de providenciar uma base de dados para a aplicação de sanções que, ao mesmo tempo, desestimulem a utilização excessiva de carros, e arrecadem recursos para o desenvolvimento dos serviços de transporte público.