A mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 28/10/2019
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia a topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana da mobilidade urbana no Brasil. Nesse contexto, não há dúvidas de que as dificuldades do deslocamento populacional dentro de uma área urbana é um desafio no país o qual ocorre, infelizmente, devido não só à negligência governamental, mas também pela Supremacia do transporte individual. Diante disso, torna-se fundamental, a discussão desses aspectos , a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a dificuldade de movimentação nas localidades de uma cidade deriva da baixa atuação de setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população, entretanto isso não ocorre no Brasil. Devido ao monopólio de grupos administrativos que operam as companhias de locomoção em parcerias público privadas, que lamentavelmente visam o lucro, e consequentemente cobram caro e entregam serviços precários. Este é um dos significados mais antigos de exclusividade comercial, usado por economistas desde que Adam Smith publicou “A riqueza das nações” em 1776.
Ademais, é imperativo ressaltar a preferência de veículos particulares como promotor do problema. De acordo com dados da fundação Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Nos últimos dez anos, a frota nacional de veículos cresceu 119%. País tem média de um carro para cada 2,94 habitantes. Partindo desse pressuposto, nota-se que o carro move poucos passageiros e ocupa o mesmo espaço do que outros meios de transporte que deslocam a mesma quantidade de indivíduos, sendo essa a maior contradição da mobilidade urbana.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a inércia da população perante aos grandes centros metropolitanos, necessita-se urgentemente, que o Poder Legislativo, por intermédio do Ministério do Transportes, quebrem o monopólio e abram o mercado para gerar competição entre as companhias de trafego urbano, acabando assim com a precariedade dos serviços e preços abusivos. Alem disso, o Estado deve conceder incentivos fiscais para empresas que influenciem seus funcionários para utilização da bicicleta como meio de locomoção principal para o trabalho, diminuindo assim a quantidade de automóveis nas vias. Desse modo, atenuar-se à, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da imobilidade dos cidadãos, dessa maneira os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.