A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 01/11/2023
Na distopia “Admirável mundo novo”, o escritor Aldous Huxley mostra os males de um Estado totalitário, que utiliza técnicas para adulterar a aparência e as ações das pessoas. Semelhante a essa ficção, no século XXI, vários são os danos à saúde mental constatados entre os usuários de redes sociais com meios de manipulação da imagem. Por isso, é válido analisar esse fato, que envolve a cultura e o mercado.
Nesse contexto, cabe analisar a influência ideológica nos hábitos dos usuários di-gitais. Com o conceito de “indústria cultural”, o sociólogo Theodor Adorno descreve como, a partir do século XX, as pessoas são bombardeadas por produtos culturais que padronizam os valores estéticos e morais, com a meta de domesticar seus con-sumos. Nesse viés, constata-se que as redes virtuais ratificam essa indústria massi-ficada à medida que oferecem recursos de distorção da imagem aos usuários, para educá-los, por exemplo, a certos perfis físicos de cintura fina ou de músculos gran-des. Consequentemente, os adeptos desses recursos modelam suas aparências para atender a padrões, mas, por não sustentá-las fora da internet, desenvolvem distúrbios mentais, como a depressão, após serem rejeitados por um público alienado que, como diagnosticado por Adorno, repele o diferente. Desse modo, cria-se uma cultura de aparências irreais, que gera, no final, mal-estar à civilização.
Ademais, é válido pontuar a dinâmica tóxica de mercado sob os cidadãos digitais. Em seus diálogos, o filósofo Platão defende que o belo está ligado à justiça e à bon-dade, o que ordena o homem com seu mundo. Todavia, na internet, observa-se a desvirtuação da beleza, por meio do molde da imagem, para incentivar o consumo. Nessa lógica, influenciadores editam suas aparências e usam gatilhos mentais de escassez para promover, por exemplo, o uso de remédios de emagrecimento. As-sim, as pessoas podem se endividar ou, se não comprarem, desenvolver ansieda-de, pois estão excluídas – o que gera, ao cabo, um povo perturbado e consumista.
Percebe-se, portanto, que, quando promotora de simulacros, a internet repre-senta caos mental às pessoas. Logo, com o fim de inibir tal desordem na cultura, é vital que as redes sociais não promovam influenciadores que deturpam a realidade por motivos comercais. Isso deve ser feito por meio da redução do alcance de se-us conteúdos, o que resultará, finalmente, em um mundo tecnológico, são e belo.