A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 22/08/2021
Mito de Narciso é uma narrativa grega, a qual discute a idolatria do personagem Narciso por sua imagem transmitida em um lago. Com isso, a mitologia alude a vários temas tangentes à corpolatria e ao culto de imagens, razões que marcaram o vislumbro e a morte do personagem no fim. Logo, análogo ao contexto mitológico, a manipulação de imagens nas redes sociais se aproxima da realidade citada, pois duas problemáticas se apresentam: a idolatria nas publicações e a falta de filtros informativos.
A princípio, a cultura do alter ego nas redes sociais, ou seja, procurar enxergar a si mesmo no ambiente e nos outros é um marcador de prejuízos. Tal acepção dialoga com o livro ´´O dilema do porco-espinho´´, do escritor Leandro Karnal, o qual utiliza do animal titular para explicar as dificuldades da coabitação entre indivíduos diferentes. Nesse contexto, os mesmos espinhos que obstaculizam a convivência entre os porco-espinhos são, metaforicamente, encontrados nos perfis virtuais, à medida que idolatrar as próprias opiniões apaga a oportunidade de reconhecer o outro. Sobre isso, a realidade é acentuada, pois o espaço cibernético contempla diferentes visões e poucos usuários seguem táticas de empatia e de entendimento da opinião divergente. Por consequência, o individualismo entre as pessoas obstrui as boas convivências e agrava o psicológico dos usuários.
Outrossim, a ausência de sérios filtros informativos é outro agravante dessa realidade. Tal essência é encontrada na filosofia de Francis Bacon, a qual discute a equivalência da sabedoria com o poder. Nesse viés, a falta de plataformas inteligentes, as quais dividam o complexo informativo nas redes sociais dificulta a plena sabedoria dos usuários, pois os falsos informes se confudem com os verdadeiros. Em vista disso, o aspecto citado adjetiva o miserável atendimento dos dispositivos na divulgação de notícias, um fator que compara o ambiente virtual a uma terra sem lei e de fácil acesso para deturpar e corromper. Em suma, seletar os conteúdos cibernéticos é fulcral para a harmonia entre o saber e a saúde mental daqueles que se conectam com essas tecnologias.
Portanto, competem aos agentes sociais oportunizarem melhorias aos usuários que manipulam imagens nas redes sociais. Para isso, o Ministério da Comunicação deve publicitar áreas de debate e de discussão em plataformas digitais, com o acesso a ouvidorias, mediante verbas estatais, pois tais modificações contemplarão o entendimento coletivo entre os usuários, a fim de sanar a idolatria nesse meio. Em referência às prefeituras locais, propõe-se a projeção de aplicativos com atividade ´´scanner´´ e de vigilância nas redes sociais, por meio das mídias, posto que harmonizarão o ambiente virtual, com fins na filtragem de informações. Sem isso, Narciso continuará sendo o modelo de tantos usuários que idolatram a si mesmo e as ´´falsas verdades´´ da internet.