A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 27/03/2021
Redes sociais como o novo espelho
Desde a Antiguidade Clássica, observa-se a existência de padrões de beleza e conceitos acerca do belo. A obra Vênus de Milo de Alexandre de Antioquia do período Helenístico, apresenta as concepções de beleza da época através do decaimento das vestes, do corpo alongado, os seios pequenos e a delicadeza da pele. Características essas que representam as idealizações estéticas e influenciam nos comportamentos dos indivíduos em sociedade. Dessa mesma forma, na comtemporaneidade a persistência de padrões de beleza promovem a manipulação de imagens em redes sociais e impacta negativamente a saúde mental pela busca da aparência perfeita.
Nesse sentido, na atualidade editoriais de revista e fotos editadas nas redes sociais passaram a representar os padrões estéticos inalcançáveis. O uso de filtros e photoshops para esconder imperfeições como celulite e estrias, e as ferramentas digitais para afinar a cintura, o nariz e homogeneizar a pele, estabelecem imagens irreais de perfeição que estimulam a busca por cirúrgias plasticas, uso excessivo de recursos de edição de fotos e causam o aumento significativo de doenças mentais. Visto que, segundo o levantamento da ISAPS (Sociedade Internacional de Cirúrgia Plástica Estética) entre 2020 e 2021 houve aumento de 50% na procura de procedimentos estéticos.
Sob o mesmo ângulo, de acordo com a pesquisa realizada pela Instituição de Saúde Pública do Reino Unido, Royal Society for Public Health, o Instagram foi avaliado como a rede social mais prejudicial a mente dos jovens. As taxas de ansiedade e depressão aumentaram 70% nos últimos 25 anos e entre as meninas de 14 e 24 anos, nove em cada dez se sentem infelizes com seus corpos e pensam em mudar a aparência com algum procedimento cirúrgico. Nota-se, portanto, a estreita relação entre os padrões estéticos inviáveis reforçados pela mídia e a queda na qualidade da saúde mental.
Diante do exposto, é notável que o contato excessivo com imagens editadas de redes sociais perpetuam a busca pela aparência inalcançável e corroboram para o aumento de distúrbios mentais como depressão e ansiedade. Desse modo, é necessário que as plataformas ofereçam suporte emocional aos usuários orientando meios de buscar ajuda em casos de problemas mentais através da divulgação de serviços psicológicos gratuitos a fim de diminuir o impacto causado pelo uso do aplicativo. Além disso, é importante também que os mesmos criem ícones de alertas notificando quando a imagem é editada para que não acarrete visões e comparações distorcidas ao indivíduo que usa redes sociais.