A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 11/02/2021
No filme “A outra face” é retratado a história de um agente do FBI, em uma sociedade utópica, que, após um trágico acidente de avião, vira uma cobaia da nova tecnologia chamada de “face changer” - trocadora de faces, traduzindo. Ao fim da trama, a narrativa nos mostra o sucesso da nova criação humana ao ver uma grande fila de pessoas esperando sua vez para marcar uma cirurgia. Fora da ficcção, é fato que a realidade apresentada no filme pode ser relacionada àquela do século XXI pela busca incessante pelo padrão de beleza e pelos veículos midiáticos.
Nesse sentido, faz-se necessário lembrar que as operações estéticas ficam, financeiramente, longe da maioria da população brasileira, contudo, devido à criação dos filtros de aplicativo ficou mais fácil alterar sua imagem para quem lhe assiste no aplicativo. De acordo com o filósofo alemão Jurgen Habermas: “A ação comunicativa é uma forma de abrir um espaço crítico e pluralista para o entendimento humano”. Assim, como no Brasil pouco se divulga sobre os malefícios da alteração da imagem do seu rosto e do seu corpo através de uma tecnologia de aplicativos- trazendo aumento da ansiedade, depressão e a competição exacerbada com a imagem de outra pessoa- reduz-se ao máximo qualquer que fosse a possibilidade de tornar o país em um como o que foi descrito pelo filósofo alemão.
Ademais, sabe-se que junto à mídia o sistema econômico que preza o capital tem como consequencia a manipulação da imagem nos meios digitais para pretígio social. Isso, pois existe uma grande transformação da estética em mercadoria, tendo como seu principal veículo a internet. Segundo um dos humoristas mais influentes do Brasil, Tiago Ventura, “Não adianta mudar a cara, o corpo, pra ter mais luxo, se mais tarde você se encara no espelho e não vai ver mais nada daquilo”. A frase dita em um dos shows do artista reflete com perfeição a atual realidade do país, pois, assim como foi descrito, as pessoas deixam-se vender uma imagem que não é real apenas para ter mais visibilidade em aplicativos e ganhar fama.
Logo, é preciso que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a manipulação da imagem nas redes socias e seus malefícios a saúde mental, urge que os veículos midiáticos elaborem por meio da junção e depois liberação de informações uma página na internet que informe todos os seguidores, e por conseguinte toda população, sobre os malefícios de alterar sua imagem publicamente. Somente assim, será possível promover a criação de um espaço onde as pessoas vivem em paz com sua aparência e mais saudável mentalemente, pois a página trataria dos assuntos mais delicados e duvidosos e também abrindo, sempre que possível, um momento de interação com pessoas aleatórias para tirarem suas dúvidas.