A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 18/11/2020
Desde a Pré-História, os padrões de beleza vêm sofrendo alterações, sendo o do Brasil baseado em corpos magros, nariz fino e bocas grandes. Por meio das mídias, as pessoas se baseiam em estilos que são impostos como belos. Em consequência, aplicativos como o Instagram e Snapchat, criam filtros que alteram o rosto natural dos usuários e, corrobora na divulgação de uma imagem de perfeição, afetando diretamente na autoestima, e portanto, na saúde mental de pessoas. Do mesmo modo, os influenciadores digitais aplicam diversos filtros para emagrecer, ou ainda, realizam procedimentos estéticos para alcançar a perfeição, divulgando que são felizes por pertencerem a um padrão.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar o perigo no uso de filtros que alteram o corpo e o rosto. De acordo com a especialista Márcia Peltier, os efeitos que corrigem falhas no corpo e rosto podem gerar uma anomalia social, na qual principalmente mulheres desenvolvem problemas como isolamento e ansiedade por não se encaixarem dentro do padrão. Logo, as redes sociais estimulam a ideia de que saúde está relacionada à perfeição imposta, fazendo milhares de mulheres acreditarem que precisam ser conforme o que mundo prega como bonito. De fato, comprovado em uma pesquisa da Dove feita em 2016, onde 66% das entrevistadas acreditam que devem cumprir as normas de beleza existentes.
Outrossim, o ideal de felicidade propagado pelos influenciadores em mídias sociais, afeta jovens, em especial. Garotas são influenciadas ao ver mulheres famosas postarem a vida espetacular que possuem e que sempre está associada a fazer cirurgias para reduzir medidas, filtros excessivos, e ainda em comer pouco para se manterem magras. Segundo uma pesquisa da médica Tatiane Diniz, o Brasil perde apenas para os Estados Unidos em quantidades de cirurgias plásticas realizadas por ano. Decerto, exatamente por postarem imagens que não fazem jus à realidade, essas figuras públicas auxiliam para o surgimento de problemas psicológicos no público alvo como depressão e transtornos alimentares, como dito pela nutricionista Marcela Kotait.
Diante do exposto, é evidente que políticas públicas devem ser tomadas para evitar que as redes sociais se tornem locais tóxicos e prejudiciais à saúde. O Ministério da Saúde, junto ao Ministério Público, deve exigir que os aplicativos de foto não permitam a divulgação de efeitos e do ideal de felicidade que os influenciadores estimulam, por meio de acordos com os criadores das mídias, de tal forma que a saúde mental dos usuários das redes sociais seja preservada, com o intuito de melhorar a experiência digital. Sendo assim, o padrão estético seria flexibilizado, resolvendo o problema.