A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 18/11/2020

Narciso editaria suas fotos no Facetune antes de postar no Instagram?

Facetune, Snapchat, Instagram são apenas alguns dos aplicativos que possuem ferramentas para alterar a aparência física de seus usuários, afinando narizes, apagando marcas de expressão e espinhas, etc. Populares, esses aplicativos acabam por exacerbar percepções negativas que pessoas já possuem de suas aparências físicas e levar a quadros de depressão, ansiedade, bulimia, dismorfia e anorexia. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de alertar para os malefícios que o uso exagerado de filtros e manipulação de imagens trazem para a saúde mental de jovens.

Em primeiro plano, a busca pela aparência ‘‘perfeita’’ não é fruto da popularização das redes sociais, os gregos, por exemplo, esculpiam estátuas com seus ideais de beleza. Todavia, na contemporaneidade, qualquer pessoa, munida de um celular, consegue alterar sua imagem para se encaixar nos padrões de beleza  e em decorrência disso receber um número maior de ‘’likes’’. Cria-se, então, um ciclo vicioso, a dopamina ativada por esse ‘’like’’ gera uma sensação de bem-estar no usuário e o faz querer mais, e, para isso, esse edita novamente sua foto antes de postá-la. Dessa forma, quem visualiza essa imagem e compara com as suas próprias publicações, percebe que as suas fotos não editadas não recebem tantos ‘’likes’’ e passa a editar as suas fotos também.

Ademais, vale ressaltar uma pesquisa feita pelo Royal Society for Public Health a qual atesta que 90% das pessoas entre 14 e 24 anos usam redes sociais, e que nos últimos 25 anos as taxas de ansiedade e depressão aumentaram cerca de 70% nessa faixa etária. Nota-se, assim, uma relação entre o uso de redes sociais e questões relacionadas à saúde mental de jovens, como por exemplo a dismorfia do Instagram, caracterizada por uma necessidade de alterar a aparência física na vida real para se tornar semelhante à sua versão editada e virtual. Por conseguinte, a pessoa com dismorfia do Instagram recorre à cirurgias plásticas, harmonizações faciais, entre outros procedimentos estéticos invasivos em busca de tornar real as edições feitas nos aplicativos.

Urge, pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de se minimizar os efeitos que a edição de imagens pode causar na sociedade. Às empresas, como o Instagram, cabe elaborar campanhas publicitárias para a sua própria plataforma, valorizando corpos e rostos sem edição, a fim de ajudar jovens com questões de baixa autoestima . Ademais, quando editadas usando filtros da própria rede social, as publicações devem vir acompanhadas de um alerta, que seja interativo e leve o usuário à uma plataforma com vídeos e textos sobre o assunto, evita-se, assim, que essas edições passem despercebidas. Somente dessa maneira a sociedade fará um uso consciente das ferramentas digitais.