A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 19/11/2020
Durante o século XIX, na Europa, o movimento cultural “Belle Époque” foi considerado “a era de ouro da beleza”, em que o culto a forma e ao belo eram evidenciados na época. Concomitante a esse movimento, na ordem vigente, o culto a beleza não deixou de ser uma realidade que perpassa o imaginário coletivo, perpetuando padrões estéticos e sociais por meio de mídias digitais. Tal problemática é robustecida pela pressão estética exercida por meio da indústria da beleza, como também a lógica consumista por trás do mundo das aparências.
Em primeira análise, é evidente que a pressão estética exercida pela indústria da beleza é vetor imperativo para o desenvolvimento de psicopatologias destrutivas para o indivíduo, tais como, anorexia e depressão. Na Grécia Antiga a simetria e o belo eram cultuados entre a população, sendo representado por meio da arte em esculturas e pinturas como reflexo no quanto a beleza era fator primordial para viver em sociedade. Sob esta ótica, é indubitável que a valorização e a busca pela perfeição estão presentes no tecido social por milênios. Desse modo, percebe-se que as mídias digitais em colaboração com a indústria da beleza aliam-se a esse pensamento retrógrado afim de propagar essa ideologia da perfeição. A toxicidade na busca da perfeição destila a subjetividade dos indivíduos, quando sobrepõe por meio de filtros e imagéticas, padrões estéticos e sociais que atingem o sujeito de forma a questionar a própria beleza e caminhar em busca de padrões inalcançáveis.
Ademais, a lógica consumista do sistema capitalista contemporâneo é fator primordial para a propagação dos padrões estéticos existentes na sociedade. O consumo desenfreado dos produtos de cosméticos reflete em quanto os indivíduos estão encarcerados nessa lógica. Segundo dados estatísticos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a indústria da beleza cresce em porcentagem significativa em períodos de crise econômica. Dessa forma, observa-se que o consumo está atrelado a perpetuação de padrões estéticos, devido a busca incessante por produtos divulgados nas mídias digitais com a promessa de serem milagrosos na redução de “falhas” no corpo do sujeito, projetando uma alienação por meio das grandes mídias para dar continuidade aos padrões estéticos, fomentando a lógica consumista estrutural.
Diante disso, urge do Ministério da Educação, promover palestras para conscientizar a população da existência da lógica consumista desenfreada, como também é de responsabilidade do Ministério da Saúde promover uma relação entre as mídias digitais e os profissionais da saúde mental, com o fito de mitigar tal problemática de saúde pública. Feito isso, o culto a projeção de uma beleza ideal deixará de ser uma realidade, propiciando a existência de indivíduos com subjetividades resguardadas.