A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental

Enviada em 15/11/2020

No século XIX, a famosa pintura de Pedro Américo sobre o grito do Ipiranga causou controvérsia sobre a veracidade do evento. Hoje, diferente de tal período, o questionamento da veracidade é ampliado pelas redes sociais e pela manipulação de imagens, que oferecem prejuízos a saúde mental. Nessa conjectura, é ideal perceber a ascenção de distúrbios de imagem e, também, os impactos para autoestima e aceitação pessoal.

Convém destacar, a priori, que os distúrbios de imagem e representação pessoal são crescentes. Isso porque a manipulação de fotos nas redes sociais cria a ilusão do “corpo perfeito” e leva muitas pessoas a cometerem loucuras em prol de uma idealização. Um bom exemplo é apresentado na obra “Mínimo para viver”, em que a personagem principal desenvolve anorexia e bulimia em busca de um padrão estético desejado. Dessa maneira, é perceptível o malefício da construção irreal de padrões baseados em manipulações digitais.

Ademais, o contato com imagens manipuladas pode provocar problemas posteriores de aceitação e autoestima. Isso por conta do desenvolvimento de um padrão, muitas vezes, inalcançável, que prejudica a saúde mental geral e dificulta o amor próprio e a autoestima. Uma analogia pode ser feita com o documentário “O dilema das redes”, em que uma das personagens tem sua saúde mental abalada após críticas recebidas nas redes e amplia o uso de filtros para disfarçar. Dessa forma, é notável as consequências negativas que a tentativa de entrar no padrão pode oferecer para saúde mental.

Fica claro, portanto, que a manipulação de imagens nas redes sociais deve ser combatida. Diante dos fatos apresentados, é ideal uma ação das equipes de design das redes sociais e sociólogos para organização de um plano que modifique o consumo de conteúdo audiovisual nas plataformas digitais, por meio da distribuição de avisos sobre a irrealidade das fotos, alertas em conteúdos muito editados e reunião de dicas para manter a consciência sobre os padrões apresentados, com o objetivo de reduzir os índices de distúrbios de imagem e a ilusão do corpo perfeito. Além disso, é necessária uma parceria entre psicólogos, terapeutas e líderes das redes sociais para o desenvolvimento de uma plataforma de apoio psicológico de usuários, mediante debates sobre a manipulação da imagem, incentivo à procura de profissionais e reunião de informações sobre saúde mental, com o objetivo de reduzir os impactos psicológicos negativos da manipulação visual em redes sociais.