A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 14/11/2020
Na Constituição Federal de 1988, o Artigo 6 assegura a todos que residem no Brasil o direito à saúde, seja física ou mental. Apesar disso, percebe-se que, no contexto social brasileiro, não existe a consolidação desse privilégio humano em vários âmbitos, inclusive na internet. Então, dando ênfase às redes sociais, é válido analisar como acontece a manipulação de imagens nessas mídias e como afeta a saúde mental dos usuários brasileiros trazendo até problemas mais sérios, como a depressão.
Em primeiro plano, sabe-se que, com o avanço tecnológico nos dias atuais, as redes sociais são um mundo cheio de novidades. Porém, o contexto real da vida sai de cena quando se trata de efeitos, como filtros ou fotoshop, que manipulam a imagem dos usuários em fotos. Ocorre que, alguns impõem uma versão excessivamente plástica e podem causar uma superestimação da própria imagem do indivíduo. Sendo divertido até certo ponto, pois a perfeição passa a ser alvo constante e isso pode alimentar efeitos psíquicos problemáticos. Assim, se a saúde mental não está plena, a complexidade do ser humano que tem construção biológica, psicológica e social, explicada pelo filósofo Michel Foucault, não terá sua base psicológica para garantir a dignidade humana.
Ademais, sendo mais abrangente, as disposiçôes problemáticas trazidas pela vida digital também podem resultar em doenças mais sérias, como a depressão. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o país mais depressivo da América Latina. A doença está ligada a fatores emocionais e são variados sintomas, mas a manipulação de imagens causa um impacto direto na autoestima das pessoas e traz uma perspectiva de comparação entre as mesmas. Dessa forma, elas sofrem sem conseguir aceitar a própria aparência, pois o cérebro já foi “condicionado” com outra imagem melhor e mais perfeita.
Portanto, infere-se que medidas são necessárias para a diminuição dos efeitos psíquicos trazidos pela manipulação de imagens nas redes socias. A mídia, intermédio tecnológico mais abrangente, em parceria com a plataforma responsável pela criação e aprovação dos filtros, deve criar um mecanismo que estabeleça um limite pequeno na quantidade de efeitos que podem ser salvos para cada usuário e continuar removendo filtros que se aproximam de uma estética de cirurgia plástica, com a finalidade de promover mais aceitação própria e menos uso de efeitos irreais. Além de que, é preciso um suporte rápido a fim de ajudar pessoas que estão com depressão, divulgando a necessidade de pedir ajuda ao próximo, principalmente a profissionais da área. Com isso, o direito da saúde pode chegar mais perto de sua plenitude, como garante a Constituição Federal Brasileira.