A manipulação de imagem nas redes sociais e seus malefícios à saúde mental
Enviada em 22/11/2020
Em “O Auto da Barca do inferno”, Gil Vicente, pai do teatro português, tece inúmeras críticas ao comportamento vicioso da sociedade do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que tange à manipulação de imagem nas redes sociais. Nesse sentido, estratégias precisam ser criadas para alterar essa situação, que tem como causa a má influência midiática e gera grandes problemas psicológicos.
Em primeira análise, é necessário atentar para a péssima influência das redes sociais sobre a distorção de imagem. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado como instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema. Isso pode ser visto na criação de filtros de “beleza” pelas redes sociais, como “Snapchat” e “Instagram”, que incentivam a manipulação da aparência.
Em segundo plano, cabe ressaltar distúrbios mentais como consequência latente da alteração de imagem na mídia. Sob essa lógica, um estudo publicado pela Revista Lacente revelou que, entre os jovens que passam mais de cinco horas por dia nas redes sociais, o percentual de sintomas de depressão cresce em 50%. Dessa forma, observa-se como as redes sociais atuam de maneira prejudicial na saúde mental da sociedade, sobretudo dos jovens.
Torna-se evidente, portanto, que a manipulação da imagem nas redes sociais é nocivo à saúde mental. Assim, psicólogos especialistas, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre a distorção da autoimagem. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando a normalização que a mídia faz com relatos de pessoas que de fato vivenciaram os distúrbios. É possível, também, criar uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população sobre as consequências da alteração da aparência nas redes sociais.